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Trágico amor MATEMÁTICO

      No hospital,ouvi quando diziam que eu tinha pequena PORCENTAGEM de chances de sobreviver.O Aparelho de freqüência cardíaca mostrava movimentos luminosos e TRIANGULARES,enquanto eu era a única UNIDADE naquele quarto.
     Soube que DEZENAS de pessoas,amigas,andavam em CÍRCULOS,lá fora,a espera de notícias.
     Logo entraram:...o PRIMEIRO...O SEGUNDO...O DÉCIMO...O VIGÉSIMO...parei de CONTAR.MILHARES de lembranças me vinham a mente.Meu maior pesar era viver num mundo DIVIDIDO por jogos de interesses,quando a única CASA DECIMAL de meu coração era ocupada pelo amor.
     Minha vida havia sido sempre,meticulosamente, CALCULADA,mas num CONJUNTO INFINITO de emoções,vivia um PROBLEMA SEM SOLUÇÃO:meu coração era um CONJUNTO UNITÁRIO,que admitia apenas um ser a habitá-lo.
     Numa SOMA de ideais,eu e "ele" tínhamos uma EQUIVALÊNCIA perfeita de corações,mas,ao que parece,a FUNÇÃO de alguns ELEMENTOS,nada NEUTROS,era a de separar-nos.E conseguiram.
     A partir de então,todos diziam que eu tinha uma EXPRESSÃO triste,e chegou o momento em que meu remédio ab².a²b.b era um POLINÔMIO inútil,pois a²b² não me curava mais;foi o fim de toda a MULTIPLICAÇÃO de esforços,prostei-me no leito de hospital onde até agora permaneço.
     Hoje,para lamento dos meus,meu coração mantém uma ACELERAÇÃO CONSTANTE,e eu,com o DOBRO da angústia anterior,já me imagino contando o meu último PAR de suspiros.
     Olho,com ar de despedida,pela janela.Sorrindo um ÂNGULO OBTUSO,conto as estrelas em PONTOS CARTESIANOS DIFERENTES no céu e aprecio a ESFERA lunar,como se fora pela última vez.
     Meus batimentos,cada vez mais reduzidos ao MÍNIMO MULTIPLO COMUM(MMC),justificam a inércia do meu corpo,em LINHA RETA,enquanto um perfume,de repente,faz o momento SEQÜENCIAL parecer diferente.
     Logo vejo a bela figura VERTICAL de meu amado com olhar penoso,à meu lado.Numa CURVA ABERTA SIMPLES,ele inclína-se,em LINHA SINUOSA,e deixa um beijo na BASE de minha face OVAL.É neste momento que a máquina, ligada à meu corpo,emite um som característico de alerta e a LINHA CONTÍNUA HORIZONTAL confirma que minha vida chegou à ZERO.
      Já não adiantaria tentar elevar meus sentimentos nem a  DÉCIMA PONTÊNCIA,pois ZERO,seja qual for o EXPOENTE,é sempre ZERO.Inevitavelmente,agora eu sou apenas uma DIVISÃO EXATA,sem RESTO e "ele" será para sempre a FRAÇÃO 1/2 de nosso INTEIRO amor,já que eu era a sua METADE,que apesar de toda EQUAÇÃO,morri de saudade.
       
Heli Paula
Enviado por Heli Paula em 31/05/2006
Reeditado em 01/06/2006
Código do texto: T167042
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Sobre a autora
Heli Paula
Campos dos Goytacazes - Rio de Janeiro - Brasil, 38 anos
225 textos (9589 leituras)
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Heli Paula