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(Imagem: carta "voz interior" do Tarot Zen de Osho)

CUSTA CARO MAS COMPENSA

     Custa caro ser você. O preço é pago à vista, de início um valor alto, o que infelizmente não te anistia de parcelamento diário por um período que dura o resto de sua vida. Os cobradores são muitos e um deles é você mesmo. Este último, pelo menos, te cobra apenas a fidelidade e o respeito a si mesmo. Os demais irão cobrar em moedas diversas: incompreensão, descrença, desvalorização dos teus valores e quase sempre, um ar de “falsa compaixão” ou ostensiva ironia. 
     Custa caro ser transparente e franco. Se você tiver um lado muito humano e compassivo, o preço dobra de valor. Vai te custar a dor de causar dor a outros tentando ser sincero com eles, principalmente se o seu falar e o seu desejar frontalmente contrariarem o interesse alheio.      
     Custará os olhos da cara literalmente porque você ou terá que ser bastante convicto para guardar coerência entre sua boca e seus olhos ou terá que esconder os primeiros por detrás dos óculos. Bem escuros, aconselho. 
     Custa caro amar acreditando no amor. A maioria das pessoas só acredita nele durante o tempo que dura a paixão, que é tão somente uma parte dele e que pode nem se transformar no dito cujo. Depois o que se busca é tão somente que se encaixe em planos previamente traçados e aí, amor é ponto secundário. E se você insiste em acreditar no amor apesar das barreiras e planos, além dos olhos da cara poderá pagar em lágrimas. De sangue, de preferência, porque a estas alturas terá o peito rasgado a faca. Não se preocupe: alguns, antes ou durante a facada, terão o cuidado de aplicar anestesia, utilizando eufemismos ou elogios ao que foi vivido, mas que agora não serve mais. 
     De qualquer forma, por caro que custe ser você, ser transparente e amar acreditando, você terá algo que todos os seus cobradores podem não entender, mas que para você é um tesouro sem preço e que nada no mundo pague: você não terá perdido a si mesmo. E, se serve de consolo, lembre-se de que o mundo não é feito apenas de quem vive para o mundo. Há outros pagando o preço. E como o mundo é pequeno e gira, te encontro na próxima volta.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 06/06/2006
Reeditado em 06/06/2006
Código do texto: T170367

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai