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(imagem: Coração, de A. Brito/www.thousandimages.com)

          
DUVIDO DE MIM...

          Duvido tanto de mim que há vezes muitas em que berro em meus próprios ouvidos pra estar certa de que ali estou e se ouço, logo existo (Descartes, perdoe-me o abuso). Duvido tanto que mesmo me olhando bem de perto com o nariz grudado no espelho, fico fazendo perguntas ao outro lado e nem dou tempo pra resposta e atiro-lhe uma pedra para ver se me dói. Duvido tanto de mim que mesmo certa de que coisas acontecidas e devidamente registradas em letras bordadas a sangue no meu livro de histórias não me reconheço no personagem principal. Nem em nenhum outro. Só consigo reconhecer-me quando, embrulhada nos lençóis bordados por minhas palavras, deito-me numa cama de idéias e versos e vou lentamente parindo a mim mesma. Deserticamente localizada entre eu e meu fruto, finalmente me acredito.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 07/06/2006
Reeditado em 07/06/2006
Código do texto: T171212

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai