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Enigmas de um osso que nasceu torto

Por trás das escavações
busco encontrar meus ossos
fósseis do meu eu inaugural
Enigmas
de um osso que nasceu torto.

Nasci pelo menos umas trinta e três vezes
fui gente pra todo gosto
tinha um profundo olhar de maribondo
para cada um que me olhasse torto
amei uma infinidade de mulheres
mas nenhuma amei o bastante
fui guerreiro venci batalhas
mas já me acovardei diversas vidas
matei um homem bom e roubei sua filha
e pelo menos em umas quinze vidas me mataram
fui quase um cão vivi em cavernas
fui quase um homem inventei as guerras
tive muitas mães todas boas amigas
tive muitos irmãos nem todos companheiros
mas meu pai sempre esteve ao meu lado
sempre me ajudando a ser bom homem ou a ser bandido.

O tempo passou por mim apodreceu meus dedos
fabricando uma enorme cicatriz em minhas vidas
mas longe,
todos os barcos se desprendem da paisagem
e um arrasta o outro assim é a vida
somos a espuma colorindo as ondas
e a mancha negra poluindo o azul do mar...

Minha mais nova vida a vida em que me encontro agora
carregando-a a todo custo nos braços como um filho único
Comecei a preencher com pensamentos repletos de boas intenções
e no começo tive sim bons motivos para sorrir

Mas o osso torto do qual são feitos alguns sujeitos
lá na cidade dos meninos que brincam de Deus
na cidade dos meninos de Deus
fez brotar um alvo em meu peito
pra que a bala não se sentisse mais perdida 
mataram-me pela décima sexta vez...


ULISSES de ABREU
Enviado por ULISSES de ABREU em 10/06/2006
Reeditado em 28/11/2011
Código do texto: T172647

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Sobre o autor
ULISSES de ABREU
Viçosa - Minas Gerais - Brasil
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