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ÍNDIOS QUE INVENTARAM A POESIA

Pros pirahãs. Índios tais que vivem às margens do Rio Maici, palavra é economia.

Não há tempo e conjugações verbais. Passado não há, não há número também.

Viver ali é aqui e agora. Só o momento presente merece ser dito. O experimentado é o que vale, é o que deve ser falado.

O abstrato não cabe na palavra dita. As conexões idas não explicam o mundo. Não reconstroem o princípio pra explicar o que existe. Resistem e ponto.

Tudo é o mesmo. As coisas são

Assim pensam, assim agem, à margem. Numa margem perdida do Rio Maici, Amazonas, Brasil.

Os pirahãs são céticos e não sabem. São poetas natos. Secos nas palavras banham-se todas as tardes.
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 15/06/2006
Reeditado em 23/06/2006
Código do texto: T175874

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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