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        É tarde. A noite já se insinua por sobre a serra como um artífice vagaroso compondo uma sinfonia. Primeiro o silêncio, a pausa. E, aos poucos, os sons noturnos parecem mover-se por entre a folhagem. O Sol suspira. A Terra boceja e num sopro lírico, contido, desliza suave, embrenhando-se no lusco-fusco do ocaso.
        Posto-me impávida nesse cenário. Observo atenta. Mover-me seria quebrar o encantamento. Quero esvaziar-me, quero apenas sentir esse êxtase que a cena provoca.
        Então, resisto à palavra que orbita insinuante. Quero antes fartar-me desses aromas noturnos, dessa umidade, para não vir a poetizar o óbvio. Sinto-me no limbo da espera...
        Pouco a pouco o céu se fecha. Vejo estrelas. Seriam estrelas? Percebo que elas habitam em mim. Abrigo-as no interior desse novelo que me enche o peito como se me pertencessem, como se lhes permitisse uma vida eterna.
        Resta-me a noite. A noite em minha memória. A noite já passada que guarda reflexos azuis de solidão. A das lembranças ternas que guarda a interioridade do silêncio. ...E esse olhar celeste que atravessa minha estrada.
        Vou ao encontro de meus passos deixados na areia. Lá encontrarei os teus.

Claude Bloc
Enviado por Claude Bloc em 27/06/2006
Reeditado em 27/06/2006
Código do texto: T183200

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Sobre a autora
Claude Bloc
Fortaleza - Ceará - Brasil
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