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          ADORÁVEL É A VOVOZINHA

          
Vou dizer uma coisa: cansei. Tô cansada de ser adorável, enchi o saco de ser considerada uma beleza, tô até as tampas da minha força. Custa caro a beleza, a força, o caráter quando reina em volta da gente mediocridade, falta de vontade e coragem.
          "Você é especial", "você é muito importante" ou "você é fantástica" não me deram nada. Tudo o que tenho sou eu e a mim mesma. Ser ótima pros outros não me trouxe nada: supro carências, levanto a bola alheia, crio dependências. Ganha-se o quê na verdade? Elogios? Pra fazer o que com eles? Criar um mural e mostrar ao mundo minhas qualidades? O mundo que se lixe com os meus supostos adjetivos.
          Sou muito mais do que isso. Sou substantivamente essencial a mim mesma. É verdade que me dôo por vontade própria e ninguém me obriga. Mas tô cansada de elogios e migalhas de tempo ou pequenas concessões.
          Mal-humorada? Pode ser, e daí? Muito bem, senhores elogiadores de plantão, aí está sua chance de ouro: desçam o porrete. Sou mal-humorada, estou de saco cheio e sim, todo William Shakeaspeare tem seu dia de Nelson Rodrigues. E foda-se também quem se ofendeu com a referência. 
          Não aos elogios que nada me acrescentam. Não às migalhas. Não às sobras de agenda. Não à mediocridade e ao cinismo. Saco cheio. Comam os restos quem quiser. Eu vou é me fartar. De mim mesma. E olhe que não é pouca coisa.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 28/06/2006
Reeditado em 29/06/2006
Código do texto: T184020

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai