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EFÊMERA

Procura-se desatinadamente à beleza, ainda que volátil, frágil e efêmera.

- Mas a beleza em todo lugar há...
Percebe-se:
No riso,
Na cor;
Na flor e
Por vezes até na dor.

- Na dor?

- Ora! Poupe-nos por favor.

- Surpresos por quê? Pois os faço saber:
Quantos funerais já não viram passar tão coordenados e enfeitados de forma peculiar. Como se àquele que ali jaz na sua performance mais rija aguardasse aplausos da glamurosa platéia, que na maioria consterna-se em fingida dor pelo desempenho do último ato de tão celebre ator. Também, ele como os demais, esmerou-se na busca da frágil, volátil e efêmera beleza – Não a viu ou lhe deixou passar sem a perceber.

- Mas disseste-nos que em tudo há? Até o momento não a vimos.

- Como não! Basta atentos observar.

Há beleza:

No riso da criança inocente, assim como no gargalhar do homem negligente;

No rosto de tanta gente, cada uma estampada de forma peculiar, observem a multidão com certeza, a encontrarão.

Como há beleza há na cor
Do alvorecer,
Do entardecer;
Da Pele canela, trigueira, negra, branca, parda, amarela;
Até mesmo naquela adaptável à qualquer aquarela.
Ela, a beleza, certamente ver-se-á basta apenas com cuidado atentar.

Ah! Quanta beleza há na flor:
Da mocidade,
Da maturidade;
Do grotão.
Na flor do mandacaru - a flor do sertão;
Nas flores valentes das zonas frias, quentes, nevadas, empedradas;
Nas flores dos pântanos;
Nas flores variadas dos campos.
Até mesmo naquela do Japão – Hiroshima e Nagazaky, In: O cogumelo abrasador. Infeliz apertar de um botão - Que triste recordação.

A beleza encontra-se, também, na flor artificial feita pelas mãos de engenhoso criador,
Que, muitas vezes não passa de feroz destruidor - em cárcere - ousando na criação tenta a própria renovação.
- Oh, Por Deus!

- Onde beleza há nas cenas de indignação?

- Que horror!

- Os direi e hão de também ver:

Fez-se, e fa-si-á sempre, presente no coração daqueles que se entregam a mais completa doação, ainda que no repúdio da aberração tomando inocentes nos nos próprios braços a acalentar soluços em variados matizes de dor.

Repito basta-nos amplia a visão, sem restrições, e assim visualizá-la, pois a beleza em tudo há, ainda que volátil, frágil e efêmera.

De verdade não precisa muito procurar.
Então...?
A vejo em todo lugar, a começar por vocês que aqui estão a me interpelar.

Olha lá! Quanta beleza...
Viram?
Que pena a deixaram passar!

Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 28/06/2006
Código do texto: T184143

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 51 anos
476 textos (16061 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 09:54)
Cláudia Célia Lima do Nascimento