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fonte imagem: http://verdinha.blogs.sapo.pt/arquivo/saudade%20td%20k%20fika.gif


AFOGADA NA SAUDADE

Pode não parecer, mas estou afogada na saudade e mal posso crer. 

Ela está aqui para me provocar. Enche-me de abraços, me dá beijinhos em pedaço e cheira o meu pescoço numa escancarada provocação. 

Finjo não arrepiar para não lhe dar confiança, porque conheço, muito bem, onde ela quer chegar e qual a sua intenção. 

Procuro esquecer de propósito a sua presença, mas no primeiro descuido, ela surge como um vulto só para eu saber que não morreu E aqui ela está. Parece uma donzela bem vestida, com um perfume embriagador.

Sentou-se na poltrona, com as pernas cruzadas para ficar olhando para mim. Sorri vez enquanto e me fita nos olhos para dizer: 

– Ei! Você! Você mesma que está aí e que está me vendo. Você está pensando o quê? Que ia me deixar largada, jogada num canto qualquer? Não, não senhora! Não gosto de ficar sozinha. Gosto de uma companhia para prosear. 

Não lhe dou confiança alguma, invento códigos secretos para ela não entender o que quero fazer e vou apartando de meus pensamentos os desejos do meu ser. 

Mais isto não a comove, ela insiste em não se afastar de seu lugar. A danada é articulada e com sua voz cacofônica canta a Flauta Mágica de Mozart. 

Continuo não lhe dando confiança, tampo os meus ouvidos para não escutá-la, mudo-me novamente de lugar para disfarçar que não estou sob seu domínio. 

Ela não desiste. Como uma demente se põe a chorar. 

Tenho certeza que o seu choro é só para me torturar e tento não me incomodar.
 
Fico brava e dou-lhe um aviso para de vez ir embora, dizendo-lhe que aqui do meu lado ela não tem mais lugar 

Ela se desespera e deixa uma sinfonia de os soluços escapar, e numa voz melancólica ameaça começar a gritar. Toco até um tambor só com a intenção de não a deixar aproximar. 

O tempo vai passando, a noite fria vai chegando e disfarçadamente vai me sensibilizando.
 
Olho para o céu, a noite está linda, posso ver a lua e as estrelas versejando, minando de vez a conveniência de minha resistência, aflorando toda minha emoção. 

Não há mais como disfarçar, não vou negar, vou ter que me entregar aos encantos dessa louca alucinada que não desistiu de me largar. 

Pulo então no seu colo, me enrosco no seu pescoço e me aqueço na sua teia que cobre o meu corpo. E como rito final, ela me beija e o seu beijo é fatal.
Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 08/07/2006
Reeditado em 08/07/2006
Código do texto: T190228

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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