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Perdendo os sentidos

 Não tenho medo da morte.Aliás, nem mesmo sei definí-la.
O que receio e me aflige o peito é perder totalmente a identidade.
Abster-me de dias ensolarados.Não ouvir o cântico dos pássaros...
Da morte, sei tão pouco!O que me entristece e desconcerta é a ausência.A falta do contato com os amigos.
Não ouvir a batida sonora das ondas, as gaivotas uníssonas.
Meu desespero é o esquecimento!A ignorância dos sentidos e dos reflexos.
Não tenho medo da morte.Aquilo que temo é a saudade.A falta de percepção dos valores,a alteração brusca do humor.
Da morte, sei tão pouco!
O que me perturba é o embrutecimento desgovernado e a indiferença crescente.
O que me desconcentra e alfineta é a letargia dos movimentos, os tremores da memória, as vacilações predatórias, os abalos sucessivos e ironicamente inevitáveis.
MariSaes
Enviado por MariSaes em 10/07/2006
Código do texto: T191130

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Sobre a autora
MariSaes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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