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DEIXE-ME SÓ. NADA MAIS.

               Quero pouca coisa. Que me deixem só, encostada quietamente num canto, que pode ser pequeno e nem precisa ter muita luz, mas que seja hermeticamente meu. Me deixem só, em paz, marinando como se faz com algumas comidas, repousando a espera da hora do preparo final para a ceia. 

               Estou cansada da confusao dos dias, das coisas em efervescência, das desatadas sangrias, dos tremores de terra e dos mares em ondas bravias. Me deixem estar. Nao é pedir demais. Quero apenas ouvir os meus próprios ruídos, o crepitar de mim em mim mesma, sem que ventos exteriores sejam necessários para manter-me acesa. 

               Tudo que quero é uma rede estendida numa varanda noturna, a lua barriguda e cheia no céu e eu, quieta dentro de mim, olhando um resto violeta da tarde no fundo do horizonte azul escuro da noite. E buganvìlias em flor, se for possível. Eu e a rede, e quem sabe algum livro para quando me canse do estar para nada. 

               Deixem-me quieta, sozinha, ouvindo meu próprio peito, as batidas do meu coraçao descansando da violência de paixoes, sejam de que tipo forem. Deixem-me assim. Desta forma, saberei que voltei para casa e poderei finalmente repousar. Só isso. Nada mais.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 12/07/2006
Código do texto: T192492

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai