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(imagem de Pedro Monteiro, www.thousandimages.com)

FLOR FÓSSIL

               
Sinto-me armazenando-me aos montes e secretamente em pleno florescimento, distante dos olhos e fora do alcance das mãos dos que que vao seguindo e passando adiante sem saber-me; dos que, sabendo-me, escolhem temer-me ou evitar-me; dos que amando-me, nao se arriscam a tomar-me para si. Apostam e adivinham enormes perigos, imaginam ameaças, pressentem armadilhas. Meus perfumes, minhas pétalas mais internas, os pequenos insetos que entre elas passeiam, as teias e as aranhas escondidas em meus botoes, as algumas folhas rasgadas, um e outro espinho que nem ponta tem mais, ignoram. 

               Eu sigo florescendo e sabendo-me a cada segundo. Sabendo o gotejar orvalhado e morno de cada manha, o abrir em par de meus botoes de acordo com meu desejo. Eles ignoram. E eu sigo ignorando a estes todos. 

               Dia desses abrirao aí alguma gaveta e encontrarao dentro de alguma página de livro esquecido, o fóssil da flor que um dia fui. 

               E terei sido eu mesma quem a secou.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 12/07/2006
Código do texto: T192752

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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