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FIDUMA

Fiduma era uma cadelinha que andava lá para baixo, balançava seu rabinho pra tudo que era macho.

Fiduma, coitadinha, tinha muita solidão, não podia ver um colo que pensava ser colchão.

Pobrezinha da Fiduma, vivia de língua de fora, mas tem gente muito malvada que só mandava ela embora.

Como sofria a Fiduma, sempre querendo um teto, mas claro e por muito certo, ninguém recebia a coitada, pensavam que era sarnenta, apesar do pêlo lustroso, pensavam que era nojenta, apesar do latido charmoso.

Fiduma, a renegada, andava por aí, poste a poste, e tentando mostrar que era macho, levantava sua perninha, mas nem mais xixi ela tinha e mostrando os pelinhos em cacho, queria deixar sua marca. Latia para os postinhos que eram seus amiguinhos e por ali se ajeitava.

Um dia, pobre Fiduma, tentando comer uns restinhos que estavam na lata de lixo, ela se viu engolida, a lata tinha era vida, e Fiduma fora tragada! Latiu a pobrezinha, latiu até ficar rouca, ouviram os vizinhos o drama, daquela cadela insana que atrapalhava qualquer boa cama e resolveram dar um jeito, pegaram, por caridade, um cachorrinho de mais idade e jogaram junto a ela. Ela silenciou por uns tempos, mas o cachorro era velho e sarnento e logo tombou de morrer. Fiduma de língua de fora, começou sua cantarola e se pôs de novo a latir. A vizinhança mais brava, de toda essa cachorrada, resolveu jogar lá um gato, daqueles sem teto e trato e ver o que Fiduma fazia. Mas qual! A pobre toda a perigo, comeu o gato na vez! Disseram todos em coro:

- O que será que foi, que Fiduma fez dessa vez? Maldita de uma cadela, não pode viver sem dar trela, pra gato, cachorro ou que for!

E os vizinhos, cheios de horror, lançaram a maldição:

- Essa cadela sem graça, não achará um cachorro de raça e viverá em cio pagão!

Pobre Fiduma sem sorte! Até cachorro vadio se esgueira pelo meio-fio quando aqui ela passa e nem mesmo de gato sarnento, ela ganha miada.

Fiduma em seu desengano, percebeu que nada lhe cabe, agora só vive uivando e nem mais latir ela sabe.



Qualquer semelhança com a realidade, não é pura coincidência... FidumaPUTA!
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 13/07/2006
Reeditado em 02/09/2010
Código do texto: T193153

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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