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O calçadão


Rua Halfeld é o coração da minha cidade. Foi transformada num dos palcos mais inusitados dos últimos tempos. Durante o dia se vê a movimentação de executivos, pessoas às compras, estudantes, um colorido de causar inveja. Nela estão concentrados o Teatro Central, o Cine Art, comércio da mais alta roda a magazines, bancos, estância cultural, um dos mais caros impostos do município. Assim que a tarde desce e os últimos vestígios do dia se despedem, o cenário da antiga rua se metamorfoseia...
Os bares, inesperadamente, se apoderam do calçadão, abarrotando-o com mesas e cadeiras. Seus freqüentadores se locomovem freneticamente, ouvem-se risos, destampar de garrafas, tinir dos copos, estalar de línguas: uma festa!  O ponto de encontro de amigos e enamorados.
À medida que as lojas se fecham os ambulantes disputam o espaço com os transeuntes. Suas bancas com toda espécie de badulaques trazem um colorido sem igual!

Ali se encontram réplicas das mais famosas grifes de bolsas, óculos, tênis, perfumes e as coisas mais simples como bijuterias, cedês (CDs) pirateados, raridades dos antigos elepês (LPs), que a bem da verdade, nem sabemos se tocam mais...
Há uma diversidade artística que porventura não se vê em todo lugar:  o lindo estudante que sobre a manta pinta a óleo e acrilica azulejos,
despertando no público suspiros de admiração ao seu talento;  o deficiente que com os pés mistura as tintas em sua paleta e matiza na tela as mais variadas paisagens, levando toda a gente refletir sobre o que poderia fazer, se fosse uma pessoa 'normal'. Há ainda um senhor que, à beira da terceira idade, traça maravilhas no papel com os lápis aquareláveis, fazendo surgir a fotografia da bela moça que pacientemente lhe serve de modelo.
Ah...! O caboclo com seu chapéu de palha e sua viola. Ele canta, com sua voz alta e gutural, modinhas que nem sempre são condizentes com os acordes dedilhados no instrumento. Mas quem liga? As pessoas vêm e vão absorvidas em seus próprios pensamentos, alheias à cena pitoresca...

Uns, num gesto mecânico, lançam moedas no chapéu de operário sobre o chão. Aplausos ao artista? ... !
Há um inconveniente por ser o calçadão um lugar de fama: serve de arena para acontecimentos não agradáveis. Os suicidas, têm uma predileção por chocar sua platéia nele também.
Neste calçadão somos capazes de viver cada dia uma aventura.  Num tempo podemos pertencer a um bloco carnavalesco, no outro, um rebelde estudante em passeata, ou ainda, qualquer tipo de manifestação, já que é aqui que bate o coração da cidade de Juiz de Fora.

bette vittorino
Enviado por bette vittorino em 13/07/2006
Reeditado em 13/04/2012
Código do texto: T193473
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
bette vittorino
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
278 textos (30198 leituras)
1 áudios (15 audições)
4 e-livros (250 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 05:52)
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