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O agregado

Valentina tinha um sorriso cativante, olhos amendoados, cabelos platinados. Quando cruzava a passarela todos os olhares eram voltados para ela. Encantadora! Estava no auge de sua carreira e adolescência. Os modelos se sacrificam, desgastam-se em prol de um reinado muito curto. Não mais que o tempo que um cometa leva para cruzar o infinito.
Val, para os mais íntimos, deixava o mundo girar em torno das viagens e do brilho de sua profissão. Achava que o mundo era uma roda-viva e ela era o eixo que manipulava a engrenagem de sua vida.
Mas os sonhos de mulher-criança foram sofrendo mutações à medida que amadurecia e, pode conhecer um mundo diferente, próprio dos enamorados: Apaixonou-se!
Vivia esse amor desvairadamente, entre uma pausa e outra na loucura do glamour que a circundava, quando teve uma grande descoberta: estava grávida. Veio o medo, as dúvidas, seria abandonada pelo seu grande amor? E a família como reagiria ao quadro que se apresentava?
Seu lindo corpo começou a sofrer as transformações da gestação, parecia ter entrado numa nebulosa sem ver uma real saída. Seu sorriso aos poucos foi ficando apagado diante da responsabilidade precoce – colocaria dentro de pouco tempo uma pessoinha no mundo, seu filho! Transmutava seus pensamentos sobre o vestido de noiva desenhado, sua criação perfeita e da entrada triunfal na nave da igreja. O que Val não sabia que tudo apenas estava começando...
Num momento qualquer, no centro cirúrgico de um hospital, viu o mais belo poema nascer, seu filho, sua criação mais do que perfeita. Ela que corria atrás do glamour, dos flashes, viu-se criadora e criatura.
Era a realização dos devaneios infantis quando embalava em seus braços o pequeno boneco que ganhara dos pais. Esqueceu Susi, a boneca-modelo que vestia as peças que criava, fabricava e, inspirara a vocação de estilista.
Mas nenhuma destas situações não fez com que Val desistisse da buscativa dos sonhos concretos. Ela trabalha, estuda, cria o filho com extremosa dedicação, cuida do seu agregado de maneira tão doce e com a mesma paixão que é de causar inveja. Vejo-os assim: felizes e despreocupados seguindo juntos na trilha mais importante da vida: o amor.
Algumas vezes me surpreendo olhando pr’aquele rosto de mulher-menina, ruborizado, traçando desenhos na prancha, trazendo a baila suas criações personificadas e deslumbrantes.
Quem sabe o que o destino estará reservando a eles? Será que os nossos sonhos mais secretos serão esfumados pelo tempo? Bem, não cabe a nós desvendar os mistérios do Criador... No momento, Val, o filho e o agregado, como mesma diz, vão vivendo imensamente a felicidade. E a família? Vai bem obrigada.



bette vittorino
Enviado por bette vittorino em 14/07/2006
Código do texto: T193936
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
bette vittorino
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
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