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(imagem "Brisa do Mar", de Victor Melo ; www.thousandimages.com)

PARINDO SINCERIDADES

                    Parece que isso não tem jeito. EU não tenho jeito. Sou constantemente e apenas uma promessa, um quase, uma prenhez que não pare nunca. Espero há anos que venha o parto, que o quase vire um evento, que a promessa se cumpra. Inútil: continuo promessa, quase, prenhez. 

                    Consola-me apenas saber que, em meio inúmeras e dolorosas contrações do meu peito, vou parindo-me em fatias, pequenas doses de mim. A prenhez continua, eu permaneço um quase, ainda a promessa não cumprida, mas parte da tarefa ao menos já se mostra. E não está de todo mau. 
     
                    É provável que a mim me dissesses que não me falta nada e que não há nada mais que parir, na condescendência de um olhar de piedade. Com certeza também me darias os benefícios dos clichês a que já me habituei. As histórias sempre são iguais e ao final, embora perfeitas e com a mendicância dos insuficientes, os clichês abundam, lembrando que fomos importantes. 

                    O problema é que minha gestação é permanente e este parto dura uma vida. É provável mesmo que me dissesses que nada tenho a buscar ou a parir. Com todos os chavões e todos os clichês. E eu, provavelmente, te devolveria igual. Mas não te pediria para me acreditar. Esta droga de sinceridade é o que me acaba...e vou parindo mais um pedaço de cortante sinceridade agora.



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 15/07/2006
Reeditado em 16/07/2006
Código do texto: T194511

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai