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Na saudade...

Saudade é tema recorrente na literatura, na música, na poesia de bar, dos românticos aos modernos, dos sambistas aos roqueiros...todos sentimos saudades, sentimos esse não sei o que  que dá as vezes e a gente não sabe como curar.

Saudades de um amor...essa é a mais cruel de todas, rasga, machuca e dura. Esse sentimento vem, se instala, faz um ninho dentro da gente e fica ali...acorda ali...vai trabalhar...e alí está ela...a gente toma banho mas ela não vai junto com a água... ela gruda. Nos sonhos... nos sonhos a saudade tem cheiro, tem gosto, tem forma, traz de volta sensações. Traz de volta o toque, a pele, a mão, a boca...e acordamos. Dá vontade de gritar, de chorar, de voltar a sonhar...de entrar de novo naquele mundo que trouxe de volta nosso amor.

Saudade é chuva  batendo na vidraça, é gota escorrendo na janela e na gota; o mundo de emoções, lágrimas, risos, caras e bocas. E quando a chuva passa, o sol acolhe, aquece, acalenta o coração que acabou de ir embora enxurrada abaixo.

Saudade as vezes é bom, as vezes é ruim. Há quem goste de sentir saudades, são os melancólicos. Eles tem prazer em lembrar o passado, amores antigos e que depois de perdidos, ganham mais glamour. Os amores que depois de amarelados pelo tempo, ganham força, ganham status de amor da vida inteira, amor incondicional, o grande amor.

Saudade é de nós e não de um só. Saudade é do efeito, do resultado, da mistura. A sua energia, que junto com a minha faz real a magia, o brilho, o cheiro que eu ainda sinto, mas que vem da minha lembrança. O teu gosto que agora só sinto se durmo e sonho com você. Saudade é a vontade de  beijar de novo teu corpo moreno, te  percorrer lentamente, te prender em mim, te navegar com ternura e firmeza. Saudade é o teu olho pedindo meu calor, minha boca, meu olho em você.

Não quero você um dos amores amarelados pelo tempo, não quero você saudade, não quero você no álbum da minha memória, não quero você lembrança...por melhor e mais louca que seja. Te quero por inteiro, começo, meio e fim, te quero presente e futuro, te quero quente, respiração, beijo, pele. Te quero real, de carne e osso. Te quero  vida, fora da gota de chuva, fora dos sonhos,  das letras de rock e dos poemas baratos de mesa de bar, fora dos livros...deixemos que as traças comam os livros e que nossos amores vivam e não fiquem na saudade.

Mari Mérola
Enviado por Mari Mérola em 17/07/2006
Reeditado em 17/07/2006
Código do texto: T196164
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Sobre a autora
Mari Mérola
São Paulo - São Paulo - Brasil
29 textos (2261 leituras)
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Mari Mérola