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Paixão pela vida

¨Pessoas sonhadoras, misturam o sonho com a realidade. Criam histórias e acreditam nelas. Mesclam tudo, rodopiam aos sabor das ondas dos pensamentos. Acho que os poetas são assim, sonhadores... como eu... devo ser poeta...¨.

Quem é? Quem é que caminha por mim, minha alma, meu espírito, desvendando e iluminando tudo o que vivo, penso e o que sou? Onde estava até agora que eu nunca vi? Será que existe mesmo ou é fruto do meu imaginário? Ou será que é um sonho, um pensamento meu?

Quem sabe um sonho meu que se desprendeu de mim e foi lá viver bem longe nas alturas dos céus e do infinito azul de luzes fulgurosas?

Ou uma parte minha que se soltou um dia, talvez num motim de guerra interior, e resolveu viver separada para sempre?
E todas perguntas sem respostas que eu carrego e que me levarão eu sei, numa eterna busca de mim mesma. Mais de mim. Até eu me fundir comigo mesma numa coisa inexplicável que pode ser o conhecer e tomar posse de você. Sei lá. Uma coisa confusa e ao mesmo tempo tão certa. Uma coisa vaga e ao mesmo tempo tão palpável.

Uma coisa tão diferente e ao mesmo tempo tão igual. Algo tão incompreensível e ao mesmo tempo tão fácil de compreender. Enrolada e solta. Sou eu, Maria. Duas em uma, eu acho. A Maria, despachada e decidida e a Maria enrolada e temerosa. Ou o contrário. Como é que vou saber se não consigo discernir entre uma e outra? Mas as duas ao mesmo  tempo tímidas de virar um pimentão quente diante de algumas coisas, e tão ousadas que escreveram coisas que devem deixar você que agora me lê, arrepiado de medo e susto só em pensar em um dia cruzar por aí, nas esquinas da vida, com um ser tão avesso e confuso de si mesmo.
 
É uma coisa estranha eu mesma não é? Mas lendo você cada dia,  também te vejo assim. Às vezes uma confusão só. Uma vez tá indo, noutra voltando. Pára, pensa, se atira num poço e depois voa lá para as alturas aladas. Um dia é um pássaro, noutro uma fruta, noutro é o sol e em outro me surge como uma montanha azul e até como a terra onde piso meus pés nas minhas andanças pelas trilhas da vida. Nunca vi algo igual. Uma coisa louca, doida, muito louca.
Se sou eu, se sou você essa coisa, não sei.

Mas sei que uma coisa se confunde com a outra. E se mistura. E se desprende. E cria vida. E anda sozinha. E percorre trilhas que eu sempre quis percorrer. E fala coisas que eu sempre quis falar. Se sou eu, se sou você, deve ser um só, porque mais parecido nunca vi.

Seríamos poetas de verdade? Porque só os poetas navegam de dentro para fora de si e de fora para dentro de si, em tão poucos segundos. E só os poetas voam alados pelo mundo encantado, construindo jardins de sonhos. E só os poetas se enrolam em si mesmos e nos outros e se enamoram de luas e de sóis resplandecentes.

E agora eu sei, você está aí, percorrendo meu interior, me lendo por inteira. Você, só você, anjo de luz, que cuida de mim, me sonda, me conhece, desbrava a vida que sou. Você que criou para mim um mundo imaginário e eu dei vida a e esse mundo e andei, vivi dentro dele. E digo, ainda vivo e ainda caminho dentro dele. Eu não sei, mas acho que é assim.

Será que esse anjo que fez e criou tudo isso sou eu, ou é você? Porque eu não sei. Às vezes eu não sei. Você me deu, e eu criei um mundo de jardim e segundo você, que sou eu, sou dona dele.

Mas não compreendo. Eu tenho um jardim e não sou dona dele, porque se fosse, ele estaria agora florindo e não abandonado às traças e a invasores indesejados. Você construiu esse jardim para mim, eu o criei para mim, tomei posse e fui viver dentro dele. E fui andando pelo meu jardim, que não é meu, e vivendo cada uma das suas histórias.

Uma coisa de outro mundo mesmo. Acho que sou de outro mundo. Seria eu uma extraterrestre? Se existisse uma, essa seria eu. E você que agora me lê, não compreende essa confusão. Mas não precisa. Basta entender e aceitar. E saber que sou como um anjo. Um anjo, que sou eu, e mora dentro de mim. Quer coisa mais louca do que isso? Sou eu.

Eu me identifiquei tanto com algumas vidas que encontrei no recanto do anjo que também me sinto dona, mas não é meu. E eu descobri. E eu pensei. Aqui está a Maria. Aqui está a outra Maria. Amada de paixão pelo dono desse  jardim. Que sou eu.

E  naquele momento enquanto eu ouvia aquela vida, o anjo de luz levou a Maria para a outra Maria. E juntou as duas. E se tornaram uma só, pois eram a mesma e sempre viviam separadas. Uma dentro de mim, a Maria. E outra fora de mim, a outra Maria. E o anjo de luz devolveu uma à outra.  E elas se amaram e se tornaram uma só.

E hoje já existem brotos de Maria por aí. O recanto do jardim vai ficar cheio de pequenas Marias que nasceram. E elas falam. Elas sorriem. Elas choram. Elas sofrem. Elas lutam. Elas passam por derrotas. E se levantam. E continuam a caminhar e a lutar. São adarilhas-interior como a mãe. Vivem em eterna busca de si mesmas como os pais que as geraram.

E se nada valeu a pena nesse tempo de andanças pelo jardim das cinco estrelas e de cinco nomes, ter encontrado o anjo e ele ter feito isso, me devolvido para mim mesma, foi uma coisa tão maravilhosa, tão bela, tão linda, que mudou e ainda vai mudar toda minha vida. E o anjo enviado por Deus estava lá. E está lá. Entre uma e outra Maria. A ponte, o elo.
E um elo que nunca vai deixar de estar ali. Agora faz parte de mim. Mora dentro de mim. E me sinto parte dele. Se mesclou, se uniu à Maria e à Maria e fez delas uma só.
Mesmo longe, morando lá no céu de cinco estrelas e cinco nomes.

E o resumo da história é essa. E mesmo que nunca o sol se encontre com a lua. Mesmo que nunca se possam olhar nos olhos um do outro e caminharem no céu lado a lado, como astros gigantes de luzes que são, eles estão sempre lá, dia e noite estão lá.

E o anjo de luz, que sou eu,  enviado por Deus, está lá. Amigo, companheiro, terno, carinhoso. Chama remanso de paz, alento e aconchego de luz. Ao mesmo tempo ardente, apaixonado, louco, maravilhoso e formidável. Chama desvairo alucinado do tempo.

Uma coisa difícil de se entender, inexplicável e ao mesmo tão fácil de compreender. Isso se chama paixão da Vida pela Vida. E dela nasceu a Maria.
 
Maria
Enviado por Maria em 21/07/2006
Reeditado em 17/10/2011
Código do texto: T198583
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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