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(Imagem de Susana Carrasco, www.thousandimages.com)

Dedicado a um velho novo amigo, a quem carinhosamente apelidei de George, dada a enorme semelhança com outro George. Mr. Clooney.

CONTRATO DE ACEITAÇÃO

               Não fujo para não acordar o relógio e com isso despertar o tempo. Tua presença é agradável e confortante, ademais de pacífica. Então, eu a aceito, também assim, pacífica e tranquila. 

               Aceito tua presença porque vejo que respeitas os meus ritmos. Ainda além, aceito tua companhia porque ela não me enche de expectativas depositadas no amanhã: inverso disso, ela entende que o hoje é o que se tem, é o fato. O amanhã é tarefa para outras mãos que não as de hoje.
 
               Aceito teu estar aqui, conversando desde Barthes até a vida rural, que conheces bem menos do que eu, com a mesma simplicidade e sem a vulgar empáfia dos pretensos intelectuais, chiques e blasès, fabricados em laboratórios em cada mísera parte de seus DNAs. 

               Aceito esta tua expressão de carinho e o teu dizer sincero “sei do enorme risco que corro de vir a te amar sem que me ames, mas não é responsabilidade sua, é um assunto meu.”, porque isso não me imputa uma possível culpa ou uma obrigação que não posso assumir de dar o que não tenho para ti. Não hoje, não agora e Deus sabe se o dia virá ou não. Tenho dores que sabes, e no entanto, respeita-as sem perguntar os detalhes. Não choro,porque não quero afugentá-las, caso em que não poderia curá-las. 

               Aceito estares por perto, bonito assim, por fora e por dentro, com olhos viajantes, de um azul que beira o excêntrico, que já viram o mundo inteiro e que mesmo assim, acham que há um mundo muito mais exótico e desconhecido nas minhas idéias e na forma tão simples como corre nossa conversa. 

               Aceito, sim. Apenas peço que sigas assim: sem muita espera, sem planos ou projetos, sem desejar um corpo que não posso dar, porque sou meio modernosa, mas nada moderninha e meu corpo é um templo que não posso abrir a turistas, apenas a iniciados. E apenas quando meus sentimentos não tenham que ser traídos. 

               Se acaso não puderes com isso, peço que não fiques por perto. Não tenho mais do que aquilo o que ora vês. Aceito o que me dás e dou-te o que o meu coração dispõe no momento. Parece justo. Estando, então, nós dois, assim acertados, por favor, não cobres mais tarde o que não foi contratado. 

Well, Mr. George, pediste-me um texto para ti .Talvez não seja o que querias...mas, faz parte do trato.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/07/2006
Reeditado em 22/07/2006
Código do texto: T199386

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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