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" MINHA NAMORADA "



Hoje é o dia do seu aniversário, completando 51 anos.
Muito mais do que uma "boa idéia", é a certeza que
 o seu jeito de Menina permanecerá aos setenta , oitenta,
 até quando a vida física se apagar.
Gosto dela também porque ela me cuida, muito terna, vigilante...
Mas gosto dela acima de tudo, porque vivemos harmonizados.
Temos em comum dar importância maior a essência e até
gostamos dos acessórios, desde que, 
eles não se constituam necessidade.
Levamos uma vida simples, vou ao seu encontro
 em alguns fins de semana e em outros é ela que vem .
Somos bem grudadinhos e hoje está fazendo uma ano de namoro.
São dois aniversários, um de vida,
 e outro de namoro com vida, o que é muito bom.
Na casa dela a mãe com oitenta anos me encanta. Ao sábados e domingos não tem empregada,
 é Dona Lourdes, Professora aposentada, quem comanda a cozinha.
A criatividade e o gosto bom da comida aumentam
 quando se faz com amor.
E Dona Lourdes é o amor dinâmico, amor empolgação.
Acho lindo vê-la aos domingos pela manhã com o carrinho
 de compras e passos firmes em direção ao supermercado.
Um dia olhei admirado ela em cima de uma escada
 limpando os vidros das janelas e senti que era o vigor
 de quem encontra verdadeiro gosto em fazer.
O Sr. Abel, pai da Fátima, minha namorada, é a simpatia
 e o bom humor em regime de plantão. Piadas, colocações
 sempre oportunas uma graça o seu viver.
Todos na mesa almoçando, minha cunhada e o marido,
 ela e ele gente boa, meu cunhado Celso, 
outra simpatia em tempo integral,
 e os dois netos de Abel e Lourdes, um com 21 e outro com sete anos.
Após almoço muita conversa, onde falamos de tudo menos de novela.
O almoço sai um pouco tarde mas até é bom. Dona Lourdes
traz da rua dois jornais e eu leio deitado no chão da varanda 
e a Fátima  ao lado , lendo também. Leitura muito interrompida
 porque ela também gosta de ver as abelhas, as borboletas,
 e os insetos curtindo as plantas que são lindas.
As vezes tento adivinhar os movimentos das borboletas,
 a intenção, o grau de concentração, e se estão em uma tarefa 
ou somente em momento de descontração.
Costumo falar também do vento que vem da Lagoa 
e que quase sempre chega no momento certo,
 e que quando não, se antecipa aumentando minha alegria...
Falo um mundo de coisas sem importância e talvez nunca tenha adivinhado o que realmente a Borboleta estava pensando
 naquele vôo em diagonal enquanto brincava com o vento.
Mas o que vale é que a Fátima gosta de ouvir o que eu digo, 
me olha com ternura e me acaricia estimulando minhas viagens,
onde busco e encontro o sentido da vida.



evaldodaveiga@yahoo.com.br
Evaldo da Veiga
Enviado por Evaldo da Veiga em 24/07/2006
Reeditado em 24/07/2006
Código do texto: T200784

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Sobre o autor
Evaldo da Veiga
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 73 anos
952 textos (313617 leituras)
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Evaldo da Veiga