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A ORIGEM DO BEIJO

(Dedicado à Pedro Paulo Carneiro,
jornalista e diretor de TV)

Beijo ardente,demorado,
saboroso e até roubado.
Beijo rápido, beijo selado,
beijo de amigo ou namorado.

Beijo de pai, de mãe, 
beijo de irmãos,avós e tios...
Um cara, na alegria pelo beijo pesquisado, 
tem 484 tipos catalogados.

Jornalista apaixonado,
Carneiro conta,
sobre o beijo estudado,
é beijo pra todo lado.

Scarlet O’Hara do beijo não gostou.
No filme E O Vento Levou,
reclamava nos bastidores,
de um hálito dos horrores.

Antigas civilizações,contam historiadores,
sobre o beijo triturado,boca a boca passado,
filho alimentado com comida mastigada,
adulto e criança,numa fome saciada.

Povos antigos usavam beijo como abrigo,
aqueciam durante o inverno,de modo terno,
soprando quente na bochecha e na boca,
estava selado,o beijo agasalhado.

Contam ainda sobre a origem do beijo,
de sociedades que provavam o outro com a língua,
até chegar na boca,que coisa louca,
nascia o beijo identificado,e todo mundo,maravilhado.

Beijo de língua,não mingua,
é conquista e afeto,
não existe entre casais,
que derrubaram seu teto.

Seco,molhado,cantinho de boca, pontinha de língua,
inocentes,uma fartura em desalinho,
assinam todo tipo de selinho,
o beijo que  fala de carinho.

Derivada do latim é a palavra,
“basium”,o beijo mais romântico,
“saevium”,beijo terno e delicado,
“osculum”,beijo na face...e está posto o enlace.

Não depende de origem, faz sucesso na maioria dos povos,
todos sentem-se novos...difícil a cultura que não tem o beijo
como tradição,efeito mágico,desfaz qualquer nó,
ainda que esfregando o nariz, num simples beijo de esquimó.

Beijo...demonstração de intimidade aceita,que movimenta,
são vinte e nove músculos ao mesmo tempo,
chegando a pulsação ao pico do batimento.
Ainda queima até quinze calorias na intensidade das energias.

No final da segunda guerra mundial,um soldado beijou na rua
a primeira mulher que encontrou, símbolo de alívio a anônima enfermeira,
o que parecera brincadeira, ganhou páginas na mídia mundial, verdadeira
estava selado o fim do conflito, o cessar fogo de todo povo aflito.

Artistas em maestria,materializam o momento mágico do beijo,
Klint e Rodin na expressão antiga e genuína,
mostram o promotor de maior adrenalina, o que libera serotonina
fazendo o milagre neurotransmissor,de enorme bem estar,sem pestanejar.

Fonte de inspiração nas artes, legítimo na literatura, memória...
até na traição mostra a bíblia e a história
a trajetória do beijo de Judas...
Deus o livre e nos acuda! Quem engana não ajuda.

Beijo de quem vai em despedida,
beijo de quem fica, não complica,
precioso experimentar e poder escolher,
as bocas que se casam no alvorecer, fundidas ao anoitecer.

Beijo gelado do nunca mais,
enterram os ais existenciais,
fortalecem o resgate das lembranças,
como heranças e esperanças.

Beijo sem gosto é beijo por beijo,sem desejo,
gosto de beijo doce,é doação e sensação,
beijo ácido, momento de êxtase, perda do controle,
para o homem precede o ato sexual, na mulher, entrega total.

Povos primitivos acreditavam no beijo como encontro das almas.
Na antiguidade,beijo na boca,era para saudar amigo.
De classes distintas,o beijo era no rosto,
assim os persas,estabeleciam pelas diferenças,o gosto.

Na Grécia,beijo na boca,só entre família ou amigos próximos.
Na Inglaterra do século XII, pacto entre Senhor e vassalo;
Na Índia, que bacana, o efeito dura uma semana; Escócia antiga, 
é o padre, com beijo na boca, que sela o casal, sensacional!

E no beijo circulante,viajante e até redundante,
italianos do século XV eram obrigados a casar,
se fossem pegos com uma donzela, a beijar.
Já os russos,turcos e marroquinos trocam beijos na boca,cultura louca...

Valores e atitudes se entrelaçam e se diferenciam,
argentinos, entre homens beijam-se no rosto, está posto,
árabes multiplicam a dose, lembram de - O Clone?
Grande Glória Perez! Mostrou o beijo em séries.

São quatro beijos a cada encontro-saudação;
beijar a mulher em público? Não!
Japonês,chinês e algumas tribos africanas,
é outra a tradição, o beijo é sem espião.

Mesmo sendo  grande transmissor de bactéria,
no código universal, virou fácil matéria,
porque o beijo,sendo desejo,
não precisa ser aprendido,mas,descoberto,sentido.

E o brasileiro?Ah! esse beija muito...
Taí,a Claudinha Rodrigues para encenar o comportamento coletivo,
a Sandy para estourar a audiência no primeiro beijo em Estrela Guia,
o beijoqueiro para quebrar todo protocolo e sair invadindo.

O beijo nunca perderá a magia,
embora,nem sempre seja de alegria,
na tristeza ou na solidariedade, sempre deixando saudade
Jamais esqueceremos o Papa  beijando o chão da cidade

O povo ganhando pouco,mas beijando,
eu escrevendo,mas beijando,
você lendo, mas beijando,
Olha que cenário...o beijo, virou até documentário!


(Poema criado em entrevista para um documentário da Universidade Estácio de Sá)






Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 25/07/2006
Reeditado em 21/04/2007
Código do texto: T201820

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema