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VOAR MAIS ALTO

È como se eu perdesse completamente o controle sobre mim mesma, vem uma vontade insana de escrever e me sento em algum lugar, qualquer lugar.  Meu computador, uma mesa de padaria, um canto qualquer que me dê abrigo e apoio. Basta apoiar um pedaço de papel e ter um lápis velho, uma caneta qualquer. Não preciso de conforto nem de paz, não preciso de transes mediúnicos ou artifícios externos. Só preciso da embriaguez opiácia que vem de mim, que brota das minhas entranhas, que me corroe por dentro se não escrevo. Uma necessidade que me devora e me alucina. É como uma hipnose, um delírio. Sento e escrevo, as palavras parecem vir como um turbilhão, uma enchente de pensamentos e frases e sentires que jorram de dentro de mim. Meus escritos vão criando vida, tomando forma, pequenas criaturas que deixam de habitar dentro de mim somente, para habitar dentro de quem me lê.
 
Inspiração? Não existe uma apenas, existem muitas. Inspiração é tudo o que vivo, tudo o que penso, o que vejo, o que sinto e mais; inspiração é também aquilo que vivo apenas dentro de mim. Meu mundo interior é gigantescamente belo e infinito. Dentro dele eu navego a todo instante e encontro uma imensa civilização perdida: personagens, cidades, situações, medos e bravuras. Nesse mundo habitam meus leitores. Todos eles. Os que conheço e os que jamais irei encontrar. Consigo tocar o coração de cada um, de maneiras diversas. Alguns sentem mais intensidade em minhas palavras. Outros, aposto, não sentem intensidade alguma. Alguns devem se ver nos escritos e talvez achar que escrevo sobre eles, tantos e mais tantos nem sequer sabem do que estou falando e mesmo assim apreciam...Lógico...existem aqueles que não gostam...e digo mais, não devem ser poucos. Minhas palavras falam de alma, de amor, de amores não vividos, perdidos, de saudade. Nem todos trazem angústias desse calibre, e muitos que trazem não gostam de cultivá-las. Paciência...

Vou jogando minhas sementes e, acima de tudo, colocando para fora todos os meus sonhos, minhas mágoas, meus tormentos, fantasias e realidades. Minhas asas de Fênix são largas e aconchegantes, carregariam um milhão de almas, que perdidas como eu, procuram a si mesmas. Sou apenas mais uma. O mais maravilhoso dessa viagem? Carregar muitas almas comigo...todas aquelas que quiserem voar mais alto.

Mari Mérola
Enviado por Mari Mérola em 27/07/2006
Código do texto: T203340
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Sobre a autora
Mari Mérola
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Mari Mérola