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Desabafo

O que machuca mais é saber o momento que alguém deixa de te amar... E quantos destes infortúnios vivemos?
São tantos como os grãos da areia do deserto...
Percebi pelo seu olhar que já não me via como amante
quando se apaixonou pela amiga de trabalho.
Muitas vezes presenciei os olhares furtivos que denunciavam o desejo crescente entre vocês dois.
Esperei... E o tempo pareceu uma eternidade.
Sobrevivi como náufraga a espera de socorro então você voltou apesar de não ter lutado para que isto acontecesse.
Outra vez você se apaixonou, agora, longe dos meus olhos pela colega do colégio, e, se ficavam juntos a noite,  nunca quis saber...
Nada fiz para separá-los, mas, acredite, nunca tinha a certeza se voltaria para mim. Mesmo assim confiei. Venci.
Me tratava com carinho parecia me amar novamente. Como diz o velho ditado: tudo que é bom dura pouco.
Muito tempo se passou e você já demonstrava os tão conhecidos sinais da paixão. Agora, na era da tecnologia, veio na forma de uma amiga linda e virtual...
Achei que tinha as armas na mão e parti para a batalha,
afinal, minha inimiga era invisível aos meus olhos e muito real no seu coração. Vivi um dos maiores pesadelos, um inferno astral e quase o perdi...
Depois de algum tempo o vi sofrer decepcionado e meu sofrimento aumentava a cada dia vendo-o arrasado novamente entre meus braços procurando consolo. Quantas vezes mais teria que chorar por meu amor perdido? Quanto tempo poderia durar a angústia de sabê-lo só meu?
Os conflitos sempre voltavam pois eram armas de ataque que usava para se defender. E novamente, reconheci você em nova paixão... Quem seria? Me perguntava.
Vi seus olhos ganharem brilho pelas novas emoções em que seu coração se embrenhava. Me vi feliz por sentí-lo vivo outra vez ou quem sabe por já ter me acostumado a perdê-lo pelas aventuras eventuais em nossa longa relação... Só sei que pensei estar louca por concordar com tanta conivência nessa situação inusitada. Procurava crer que era a causa de estar se recuperando do trauma sofrido, da cirurgia. Cheguei a abençoar a nova paixão e a tal da fisioterapia.
Mas quando acreditamos rocha, um dia as forças minguam, e ela se rompe. Nossa juventude foge e o tempo vem implacável nos assombrando com suas inseguranças. Resolvi que lutaria feito guerreira e não seria qualquer cantorazinha que o tiraria de mim. Mas será que um dia realmente o tive?
E, mais uma vez, o inferno se formou lançando-me sobre as labaredas que quanto mais nos esquivávamos mais saíamos queimados. E, no final, ilesos no corpo, mas a alma, o ego, o coração, totalmente destroçados. Se valeu a pena lutar, não sei.
Hoje, estou naquela situação inicial, perdida e sem vontade de lutar. Não tenho a energia dos náufragos esperando socorro nem tampouco quero uma tábua de salvação.
Cansei!
Conheço minhas limitações. Cheguei ao fim.
Se você se apaixonou, virtual ou real, não me importa mais saber...
Não quero sofrer com suas amarguras pós relacionamentos mal vividos. Nunca se importou em me magoar.
Amei alguns homens ou pelo menos pensava assim, antes de você, mas bastou você chegar para eu nunca mais querer olhar para outros. E você?
Até quando tenho que esperar para que amadureça e venha a me amar?
Não. Estou no fim da linha, não suporto mais.
Não ficarei me humilhando abrindo meus braços para te consolar...
Se não me quer, implorar, jamais.
Agora saia da minha vida, só não esqueça de fechar a porta bem devagarzinho...
bette vittorino
Enviado por bette vittorino em 04/08/2006
Reeditado em 13/06/2012
Código do texto: T209253
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
bette vittorino
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
278 textos (30167 leituras)
1 áudios (15 audições)
4 e-livros (250 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 09:11)
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