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28/10/1987.






Sinto-me uma passageira.
Passageira na vida, nas vidas, em família.
Parece-me que estou sempre de passagem, em qualquer lugar que eu vá.
Não sou perene, nem real.
A qualquer momento irei embora.
Atrás de minha busca como ser.
Não adapto-me a padrões de vida comuns, nem sou incomum.
Nas vidas das quais participei, e participo, acredito sempre que não sou fixa.
Perdi minha vida até agora tentando ser comum.
Embora alguns momentos de indisciplina, tento me manter no convencional.
Sinto-me sempre como uma visita.
Às vezes, imagino que vim apenas para representar, e que péssima atriz sou!
Até quando, meu Deus, até quando? Amanhã?
No mês que vem? No próximo ano?
Queria muito a certeza de sabê-lo.
Para não precisar mais representar. Poder ser.
Sem censura, nem freio.
Viver, intensamente viver. Sem correntes, nem convenções.
E a vida correria novamente, como já me aconteceu certa vez.
Sou admirada. Calma, inteligente, boa pessoa.
Mas sou forte, irreverente, deliciosa, carinhosa e carente. E solitária.
Um dia eu vou me libertar, e ser.
Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 05/08/2006
Código do texto: T209531

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21458 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 06:28)
Edilene Barroso