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 to you, "Mr. Clooney", como combinado...

NEM POR TODO ESSE AZUL ...

                    Sabe, eu queria mesmo ser uma boa estrategista. Queria ter, não apenas um plano B, mas planos do A ao Z. Queria mesmo. Mas eu sequer tenho um plano A pra começar a conversa. Queria ter espaços pra encaixar tua beleza toda – as duas, porque devo confessar, você é uma obra de arte – em cada um dos planos que não tenho. O problema é que não tenho como fazê-lo. Queria mesmo ser capaz de incluir essa voz belíssima e essa cara de Mr. Clooney nos meus most wildest dreams. Mas eu nem sequer sonho quando durmo, o que dizer de quando estou acordada? 

                    Queria ser uma boa mentirosa e responder descaradamente que sinto falta da tua presença a cada minuto. Não vou dizer que não sinto nunca a tua falta, mas todo o tempo...Isso é algo que não posso. Queria que fosse possível dizer que tudo está maravilhoso e ser sincera ao fazê-lo a cada “Como vai?”, mas apenas sigo o protocolo e respondo tudo bem. Até mesmo pra você. Tá, eu sei que você é um bom adivinhador e mesmo pelo fio do telefone, adivinha que a resposta é protocolar. O problema é o raio do costume. A coisa do protocolo entra na veia e, feito droga, vai viciando e a gente até tenta mudar de hábito, mas a praga tem raízes fundas. 

                    Queria ser mais superficial e fazer como tanta gente que, sem o menor problema, divide a cama e o corpo numa boa porque o sujeito ao lado é espetacularmente bem feito pela Mãe Natureza como você, e não tá nem aí se não está dividindo a alma. Talvez eu pudesse fazê-lo, se você fosse igualmente desencanado e também estivesse buscando a mesma coisa. Mas aí vem você, com estes olhos de céu, limpos e transparentes e fica claro que tem mais do que atração na brincadeira. E essa brincadeira eu não sei brincar. Não sei tomar o tempo de quem parece estar me querendo além das aparências, sem devolver o mesmo. 

                    Vai por mim, George. Eu conheço essa moça há uns quase 44 anos. Ela não é muito fácil. Complicadinha, cheia de requisitos, de dedinhos e com um potencial destrutivo maior do que a bomba H. Quando eu digo que é fria, I mean it. E você é muito bonito pra virar escombros. 

                    Se você topa, a gente segue assim, discutindo Barthes e Rilke, rindo da minha teatralidade com as mãos (que afinal, tenho uns pezinhos na Itália), das minhas maneiras desastradas e da tua habilidade com as metáforas de que gosto tanto. A gente vai rindo da vida e do que não me permito até ver se um dia jogo fora todos os meus princípios e entro no jogo do “fica fria e deixa comigo” que você me propõe. Por ora, não passo a bola. Nem por todo esse azul faiscante dos teus olhos.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 09/08/2006
Código do texto: T212793

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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