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Convulsão alegórica



Diante desta situação calamitosa e vergonhosa que se destaca o nosso país, sentimo-nos como eleitores em transe, ou quem sabe, palhaços das perdidas ilusões. A mídia explora e banaliza as CPIs, orgulhosamente como aves de rapina. Afinal, manchetes do tipo catástrofes, epidemias de corruptos, dão IBOPE.
O povo sofre nos primeiros dias ao se sentirem lesados, achincalhados, depois de tantos dias batendo na mesma tecla, tudo cai no esquecimento. Somos um povo de memória curta, quem se importa?
Os homens de ternos e gravatas, borboletas não mais, desfilam pelos membros do júri – que júri?! E nesta hierarquia social segue o lixo, sem lata, sem sangue, mas um verdadeiro esgoto, apesar dos Armanis e dos perfumes franceses.
Cantam histórias graças a inocência dos cidadãos que pagam seus impostos e carnês em dia. Não sonegam frente ao tamanho e o receio ao leão. E, ainda sobra coragem para viver meio a podridão, cuja sina é cantar partido alto.
Certa vez ouvi uma mulher numa entrevista na tevê, dizer que para sobreviver entre os abutres nas telas do primitivismo tinha que olhar no espelho todos os dias para se ver e neste momento olhar firme e enviar seu comando – ‘pisa na sua vaidade e cuspa no poder’. Pensei, meus Deus, que grande mulher!
O poder na maioria das vezes faz com que as pessoas se corrompam, esqueçam os princípios básicos da decência humana. Honestidade - outra palavra em desuso. Elas se comprometeram demais, deixaram de ser gente. Não caem na malha fina, suas velas de filtragem não passam micelas.
O povo, aquele que mantinha a esperança flamejante em viver num mundo decente, onde houvesse igualdade, revisão garantida, desesperou-se, desacreditou-se. Chega de abuso do bom senso! Mas quando virá o grito? Será que vamos ter que pegar carona e sair por aí ou será que teremos que criar coragem pra saber viver aqui na solidão? É hora de repensar conceitos, preconceitos e outros plás. Basta! Vamos esvaziar, ou seria vazar?
A vida não espera os modelos fora de uso, gera apenas homens desumanos, numa capa espinhosa e dolorosa do orgulho, da vaidade, do falso conforto que a cada dia afasta o povo do próprio povo. Um epíteto rude e amargo para a brasilidade, que anda sofrida e largada no meio desta multidão de sozinhos.
Enquanto alguns dormem seu sono pleno em berço esplendido neste meio insano e conturbado, de sonhos coloridos? Outros sofrem de insônia pelas compras nos hipermercados, da escola dos filhos que não conseguiram matricular. Do aluguel? O gás?  A conta de luz? Nem em seus sonhos escapam da neurose do país em que vive.
Como seria possível o povo corresponder seus anseios? Onde buscar uma resposta confiável para o mal desta crítica da existência atual?
Impeachment? CPI’s? Mensalão?  Pizza ou Pastelão? Árduo caminho, cálice amargo destila o ágio a pagar por nossa consciente pequenez, no dever imposto até a morte.
 


bette vittorino
Enviado por bette vittorino em 11/08/2006
Código do texto: T213856
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
bette vittorino
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
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