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SONHOS SEM VALSA

               Não me peça o que eu não tenho, mas se não te incomoda pode ir me dando o que quiser. Compre-me um pacote de sonho de valsa, uma flor dentro do vaso – rosas e flores cortadas são proibidas e descartadas – compre-me o seu melhor sorriso, um seqüestro numa terça-feira, uma vontade fora de hora, um olhar lascivo inundado por semi-lágrimas de ternura (não são contraditórios, pode crer). Compre-me um piquenique no meio do dia no meio de um mato no meio de uma cidade, uma jóia rara de prata – que ouro não me encanta ; compre-me uma saudade inesperada que andou ficando disfarçada de “não tenho tempo” ou “ando todo enrolado”. 

               Compre-me uma lágrima de emoção disfarçada ou não, tanto faz, compre-me. Compre que eu me desmonto talvez, pode ser, só Deus sabe, se te apraz. Mas compre-me logo. Porque logo termina. E pode ser que depois não tem mais.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 13/08/2006
Código do texto: T215769

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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