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(imagem de Elsa Mota Gomes, www.thousandimages.com)


to you, "Mr. Clooney" with these big, beautiful blue eyes...

DE BEIJOS, INFIMIDADES E AFINIDADES


               Ok, tenho que admitir: tens uma enorme habilidade em fazer-me pensar. E por “pensar” não defino o simples ofício de lembrar palavras, mas encher-me de perguntas este sótão já habitado por inúmeras interrogações. Desligo o telefone com tuas palavras nos meus ouvidos, ecoando feito cavalos a galope: “Porque te preocupas tanto com coisas ínfimas e te permites tão pouco?” 

               “My dear Mr. Clooney”, vou pensando...onde aprendeste a colocar tão bem as palavras? Onde aprendeste a criar uma enormidade de perguntas com uma só? Talvez estejas certo e tudo não passe de infimidades. Talvez o único beijo que tiraste de duas espumantes viúvas pudesse transcender – palavrinha de que gostas tanto – um imenso mar de infimidades. Parece que finalmente possas estar botando enormes interrogações nas minhas certezas. Parece. Não estou bem certa. 

               A verdade é que tenho feito das infimidades uma espécie de ocupação. Ocupo-me delas, preocupo-me com elas e não deixo a vida me levar. Talvez eu seja ínfima? Quem o saberá? Ou talvez o ínfimo seja mais importante do que o imenso, o contundente, o transcendental? Talvez o meu mais ínfimo silêncio seja mais verborrágico do que meu discurso e eu nem saiba.
 
               Um beijo. E já pensas que eu devesse transcender o beijo e descobrir um mar de afinidades para encobrir as infimidades. Talvez tenhas razão. Mas só talvez. Há muito que pensar e estou deixando o tempo correr pra ver onde vão minhas infimidades. As afinidades estão brotando feito água fervente saindo do solo perfurado e isso, já o sabemos, não é ínfimo e nem usual.

                Um beijo dos mais simples e sem os próximos capítulos esperados. Confesso, admito: também aí houve afinidades nada ínfimas. Suave, doce e carinhoso. Como tu mesmo o és. My dear George, eu me enrolo toda nessas coisas e não quero enrolar ninguém junto comigo. Trago o peito meio enrolado, tu já o sabes. Desliguei o telefone e aí continua tua voz a dizer: “Relaxa um pouco e deixa de lado as infimidades... 

               Eu relaxo, George. Mas as infimidades não dormem...



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 14/08/2006
Código do texto: T216597

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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