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MESTRE DOS DISFARCES. OU QUASE.

               Para o que ele anda fazendo é preciso ser muito bom. Precisa ser um mestre dos disfarces, um PhD em acobertar sentimentos, um especialista em faz-de-conta. E ele parece estar conseguindo. 

               Parece estar enganando muita gente e a coisa é tão bem feita que ele próprio parece acreditar. A platéia aplaude de pé. Eu própria sou obrigada a admitir que a atuação é quase perfeita. Quase. 

               Os “quases” são sempre muito perigosos. É no “quase” que se escorrega, é nele que se entrega o ouro ao bandido, é nele que os muito atentos percebem o engodo. 

               As máscaras são quase sempre eficientes, se não se atenta para o fato de que os olhos permanecem descobertos. Um par de óculos bem escuro poderia ser uma boa solução. E quase resolve. Quase. Os óculos podem vetar acesso aos olhos, mas há ainda o tom da voz. E mesmo um bom ator se descuida de pequenos detalhes como este. E aí aparece o quase. E o quase é sempre uma denúncia. 

          Ele é mesmo um mestre. Dos disfarces, do faz-de-conta, do inimaginável. E com a cara de santo que é necessária pra tanto. É quase perfeito. 

              Que lástima que eu me tornei especialista em “quases”...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/08/2006
Código do texto: T217965

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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