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POR AMAR-TE ASSIM

          Por amar-te assim, desta maneira assim rasgando carnes, renascendo de agruras a cada momento, afundando-se mais e mais na busca de superar teus naufrágios em plena superfície é que te digo que não me bastam as palavras bonitas ou uma língua lasciva a lamber feridas e curar rasgos da carne a toques de dedos. 

          Por amar-te assim, sabedora de tuas sedes de líquidas procuras tantas vezes sem respostas, de tuas fomes que não se saciam com mesas postas mas com outras fomes que não as tuas, cônscia de tuas buscas eternas e infindáveis sem mapas e sem rotas é que te digo que não te bastarão, como não me bastam, as bulas dos demais e os registros amorosos que tantos andaram a usar recheando poemas. 

          Porque te amo desta forma insone e insana, que te descobre nua no meio da rua, te bota desejos fora de hora e inaugura teu ventre sem tocar-te a pele, mas apenas a o ponto G que escondes na alma é que te digo que não haverá quem possa mais alcançar-te inteira e acalmar-te a chama que arde fêmea, lasciva, impudica e vulcânica.           

          Porque te amo tanto e mais, e te sei do começo ao fim, corpo e alma, mente e coração; porque rasgo teus segredos sem tocar-te um único fio sequer; porque te amo assim, mistura estranha de doce, má, torre alta inalcançável, pires de porcelana, mulher; por que te amo assim é que te digo, agora que me olhas no fundo dos olhos, além do estanho, é que te digo: não podes amar a outro qualquer.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 21/08/2006
Código do texto: T222129

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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