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As janelas do tempo

Debruçada sobre as horas do tempo, sem contá-lo, fecho os olhos e me deixo navegar pelo silêncio de vozes. Me deixo flutuar para dentro de seis janelas do tempo, de passeios pelo jardim, de campo de árvores.

Parei estática diante da sexta janela que encontrei. Era uma janela diferente das outras. Pedi ao guardião, o dono do jardim que janela era aquela.

Disse-me ele:

- Essa é a janela "destruindo para construir" !

Até agora me pergunto o que queria esta janela dizer. Por não saber, não falei nada. Tive medo de dizer. Melhor dizer, sem falar nada. E assim fiquei calada.

Mas agora fico pensando nesta janela do tempo. O que estaria sendo destruído?

Fiquei até com medo que talvez o que estivesse sendo apagado seriam as minhas pegadas na história. Fui procurá-las e onde andei, estavam lá. Mas foram tantas trilhas, que seria preciso voltar em cada uma delas. E nestas trilhas são tantas as janelas do tempo que levaria outros quatrocentos anos para trilhá-las.

Hoje sei que não tem nada a ver com isso. Destruiu-se a natureza para erguer concreto em seu lugar. As flores desaparecendo para dar lugar às pedras.

E assim vai passando o meu dia. Olhando, olhando, pelas janelas do tempo. Precisarei hoje ainda, levantar um breve vôo, mas volto às janelas do tempo.

E já decidi, para aplacar a saudade, vou entrar numa delas e passear pelas trilhas do jardim ! Minha vida de sonhos é real nas janelas do tempo !
Maria
Enviado por Maria em 24/08/2006
Reeditado em 17/10/2011
Código do texto: T223971
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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