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(imagem de Pedro Gomes, www.thousandimages.com)


MARCAS E PEGADAS

          Estaco num ponto qualquer e releio tuas coisas. As coisas perdidas em outro ponto, o que fizeste e eu não estava, o que por ti eu fiz e não estavas. Releio tudo sentindo as dores que tiveste e eu não doí junto, um tempo em que minhas mãos não estavam dadas contigo e em que estancavas teu amor em lágrimas de sangue e eu não tinha lenços para ti. Uma brisa qualquer mudou teu cabelo e eu não posso mais saber como ficou, deves ter tido felicidades também que eu não entenda e eu não fui ter contigo. Vejo e leio tudo teu que se perdeu em algum ponto. Vejo teus rastros e vestígios todos em cada olhar. Tuas pegadas e marcas ainda marcam minha pele. E tudo me traz uma enorme tristeza de não poder ter estado, feito Deus, desde sempre e eternamente; uma dor do não compartilhado, não dito ou (mal)dito; uma dor de não ter doído contigo, ao teu lado. Eu apenas não podia. E tampouco me entenderias. A verdade é que doemos nossas dores geograficamente isolados e depois, não pudemos entender o junto, o conjunto, o amalgamado. Talvez precisemos nos perder. Perder tuas dores e minhas, tuas coisas e as minhas, para quem sabe, descobrirmos as nossas.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/08/2006
Código do texto: T224179

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai