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(...) RETICÊNCIAS (...).

Ah! Muitas foram às vezes que te busquei nas dobras do meu pensamento lá te reencontrando, na integra, no teu modo de ser. Aí, foi quando revi alguns momentos vividos no mais intenso prazer e outros de descontentamentos. Querendo melhor entender o que nos passou fui refazendo o caminho por nós percorrido. Como me admirei com a infinidade de reticências usadas em nossa relação, foi então que pude vislumbrar alguns pormenores que poderiam ter sido evitados e impedido o aparecimento das inúmeras lacunas que imperou impondo-se à vontade de dizer.

No percurso de agora, lembrei-me de bem atentar, e fui deparando-me com tanta coisa fora do lugar. Ufa! Quanto espaço vazio. Contrita, me perguntei – Por que nunca nos esforçamos a reparar? Ao longo de nossa convivência fomos deixando, dando um tempo, e, hoje quando paro a olhar lá estão as reticências - formando às falhas. E por aí seguem a enxurrada de interrogações:
Por que não dissemos o que havia a ser dito, no momento da ocorrência?
Intencionávamos, porém, por que, absolutamente, nada dizíamos?
Omissão casual ou despreocupação pactual?
Não lembro de convenções por nós firmadas!
Quantas foram as vezes, que a vontade de dizer, esteve presente?
Talvez muitas!
Todavia, não houve uma manifestação efetiva, por quê?

Revendo o ontem, lamento o que hoje se apresenta como fruto de nossa negligencia. Sempre interrompendo o desejo de falar. Calar era bem mais simples e tudo parecia ficar subentendido. Nenhuma proposta era realmente levada à frente tudo, tudo, silenciava-se, ou deixado era para depois – E daí!

Daí...
O tempo passou voraz, cristalizando-se os espaços, pouco-a-pouco sem nos determos para as corrigendas necessárias, no relaxamento, nos perdemos. Agora em meio a tanto, fora do lugar, e ao te rebuscar nas lembranças após a chuva indócil das interrogações pude melhor ver o quanto, também, fomos imaturos. Estarreço ante aos intervalos e do tempo perdido. Reavaliando o todo, entristeço-me com a conclusão, pois vejo que pouco faltou para chegarmos ao ponto, bastava apenas rever com estima às situações da nossa relação até reencontrar a emoção. Mas não! Seguimos sem nos preocupar e a omissão a transbordar. Poupamos palavras e esbanjamos reticências. Creio que não há a quem culpar – pois fomos em quase tudo tão semelhantes.

Neste instante em meu pensamento te reencontro e como antigamente nada a cobrar, dado que só queria lembrar, apesar de tão reticente, o quanto foi bom ao teu lado estar. Faço aqui uma pausa – Será que...?  Rá,rá,rá...  Olha, só o velho habito! Hoje, com a maturidade, obviamente, mais fácil de cambiar.
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 31/08/2006
Reeditado em 05/09/2006
Código do texto: T229483

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 51 anos
476 textos (16067 leituras)
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Cláudia Célia Lima do Nascimento