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Minha Luz na Escuridão




Tentei ler cada alma que visitou a minha. Tentei articular cada palavra que insuflou alegria no meu silêncio. Compartilhei cada sonho de um mundo melhor na minha emoção fragmentada. As vezes, já meio cansada, redescobria o sonho que magicamente tecia em mim a manhã seguinte... clara, lavada de qualquer mágoa, como uma pequena Psique flertando com o divino. Num outro abraço, a minha pele coberta de neve e sol derretia, mais uma vez, a certeza de um momento que parecia ser para sempre, como lágrimas na chuva apontando-me a fugacidade da comoção, a tola idéia de algo eterno, tão somente assim pensado, pela força da intensidade, de uma possível verdade absoluta. Absoluto. Luto, ainda que em tantos lutos, luto...absoluto... e essa palavra ecoa e se dissolve num simples pensar. Esse é o meu pesar, pois sei que ela não cabe em formas e a parte que me cabe é apenas um fragmento, composto de reticências, como uma ultra-romântica que no fundo  sonhou um mundo, quem sabe clássico, onde o eterno é pura vida manifesta, mas ainda assim, continuei lendo cada alma que visitou a minha, como um mantra que me protegia da dissolução do sentido de ser. Comecei a perceber que tudo que eu tinha era um centro dentro de mim e que estamos todos numa queda livre então, construí um só corpo, quente, sensual, iluminado, pleno de significados. Nele tentei traduzir o melhor de mim, feito de todas as memórias, as mais fortes e acreditadas, som de todas as línguas, pulsando inúmeras vidas, mitificando um milésimo de eterno, imutável para então, compor o mais puro silêncio que enfim, encontrei na tua boca, no corpo da tua memória, que projetou todas as mulheres que fui e as juntou, todos os pedaços, como um rito cosmogônico reconstruindo o meu mundo, afastando de mim o terror primitivo do caos. A generosidade e o amor imenso nos teus olhos reconciliaram todas elas, para compor apenas uma, ainda que inacabada, mas absolutamente humana e bela em ti. Agora e sempre,  vejo-a em mim e  esse foi o meu maior presente.




* reconstruído e reeditado
Ana Valéria Sessa
Enviado por Ana Valéria Sessa em 04/09/2006
Reeditado em 29/06/2009
Código do texto: T232220

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Sobre a autora
Ana Valéria Sessa
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Ana Valéria Sessa