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Eternamente nós



Certo dia se chega a conclusão que tudo podia ter sido diferente. Até o modo de olhar as coisas ao nosso redor seria matizado se tivéssemos a oportunidade de mudar o caminho percorrido. Mas a vida não perdoa os momentos fugidios. O que passou não volta mais. E não temos como recuperar os rastros que deixamos nos atalhos por onde trilhamos. E aquela pessoa a quem não soubemos perdoar quando foi preciso já reconstruiu sua vida e a nós resta apenas a solidão...

Esta foi a maneira mais fácil que encontrei para perde-lo. Não soube ouvir quando tinha tudo a explicar e as minhas palavras proferidas num rompante onde as emoções borbulhavam o feriram de maneira que levarão anos para apagar. Lembro-me como se tivesse acontecido há instantes do seu sorriso e do seu gesto de resignação aos poucos se afastando para sempre...

Talvez eu não fosse a Julieta por quem procurou, mas você era o Romeo por quem procurei a minha vida inteira. Da janela do sótão onde me refugiei depois de sua saída fiquei observando-o sumir naquela estrada longa e dolorosa. O tempo esqueceu-se de mim e a noite me flagrou ali detença sobre a mureta da janela, não percebi as estrelas, a lua que timidamente lançava seu brilho sobre mim...

Se me permitido fosse retroceder o tempo, não mais seria este ser autoritário e exigente como fui, reeducaria meus sentimentos para que não provocasse nenhuma ranhura no amor que construímos em base tão frágil. Nada me faria romper em impropérios contra essa pessoa que me acolheu em seus braços quando mais precisei. Sem cobrar nada se foi, por minha intolerância.

Hoje sei mais da vida pelas coisas que permiti serem tiradas de mim e não pelas façanhas que outrora deixei gravar na história de minha permanência neste planeta. O amor que senti por você no passado é presença viva em mim. Nada mudou. As coisas permanecem no mesmo lugar desde a sua partida, mas não tem o mesmo sentido quando as olho. Elas transmitem um misto de dor e alegria por eu saber que as tocou e não mais irá faze-lo.

Por vezes acho que ficarei louca de viver assim das lembranças que ao mesmo tempo em que atormenta, acalenta. E de saber que joguei a felicidade de tê-lo ao vento por desconfianças e sandices. Vivo nesta cilada da ambigüidade do que poderia ter sido. As marcas de expressões começam a surgir em minha face, não aquelas que gostaria, por ter vivido momentos afortunados e sim aquelas por ter sobrevivido as mais tenebrosas tempestades mentais, onde somente eu tenho acesso e posso desfiar as contas do meu rosário de dor...

Sei que deve está se perguntando como  posso ter vivido tantas coisas. Não se iluda meu amigo, no teor da criatividade, posso sentir tudo sem ter vivenciado nada...

bette vittorino
Enviado por bette vittorino em 04/09/2006
Código do texto: T232643
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Sobre a autora
bette vittorino
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
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bette vittorino