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to u, J..

AGORA. OU NUNCA

               Eu não sei as razões, talvez seja simplesmente porque a vida é malvada e irônica. Quem me dera saber porque, com mil diabos, não soubemos o que fazer nem como viver as promessas que trazíamos nos olhos, as emoções que carregávamos no coração e os desejos que nossos olhares refletiam. Quem me dera saber , naquele tempo, onde foi que enfiamos nossas coragens, em que raios de caixinha ou gaveta tão escondida elas estiveram que não soubemos remapear nossas estradas para que minha rua e a tua pudessem andar encostadas. 

               Não tive e pelo jeito, nem você, respostas para tantas perguntas e menos ainda, olhos para enxergar o que poderia ter sido enormemente diferente. Seguimos fazendo outros planos, sem ver que a vida continua acontecendo enquanto estamos planejando, pensando, programando. Só que a gente programa e ela, feito um vírus no PC, desprograma tudo a nossa revelia. E gosta de ironias. E olha só: cá estamos de volta a um ponto de partida. E quando se pensa tudo arrumadinho, planejadinho, do jeitinho que pensamos, meia dúzia de conversas e ressuscita-se o defunto, que afinal, nem era tão mortinho. A gente só não tinha consciência disso. 

               Vou lhe dizer uma coisa muito claramente: não quero mais saber de perguntas, não quero mais saber o que vai ser ou não. Ou vivemos de uma vez a coisa toda ou seguiremos morrendo. Um pouco a cada dia e virando museus, que é quem gosta de lembranças. Eu, quero a vida, ao vivo, a cores, em braile, com cheiro e tudo que ela tem.

               Se eu fosse um pouquinho mais burrinha, diria: "Que coisa, que coincidência?". Você acredita em acaso? Eu, não.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/09/2006
Reeditado em 11/09/2006
Código do texto: T237566

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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