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Cabelos Brancos (ou Francos)

Nesta manhã, extraí da minha oca ranzinza, três capilares albinos. Oxalá fosse este, fato órfão! Sucedem-se os dias e chegam eles a me causar estrago; ofuscam o nascente a cada surpresa (se bem que, se surpresa, não seria rotina).
Estes inimigos da auto-estima se manifestam mais vorazmente, nos dois lados sobranceiros às orelhas e, como canibais, engolem os mais melanizados com avassaladora inveja.
Dizem por aí, às fartas, a quem interesse ouvir, que é sinal de experiência, de maturidade, de independência e, mais ardido ainda: "que confere um charme todo especial à aparência". Faço uma correlação entre este e a beleza e sugiro a transferência imediata dos concursos que premiam os melhores da imagem, para os asilos do mundo afora.
Acinzentados, brancos, grises, descorados, pálidos e metalizados: vão ao mar!
A precocidade faz deles, urgentes; os anos a gorjearem lepidamente; os anjos a orquestrarem solenemente; as dúvidas a bloquearem inda mais o intelecto; as certezas...
[Um átimo de devastadora reflexão pregou-me à parede].
Até quando serão eles considerados visitantes prematuros? Será que algo não me está escapando? Há, de carona, algo ou alguém mais equivocado do que as presenças dos três mosqueteiros nesta manhã?
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 11/09/2006
Reeditado em 18/09/2006
Código do texto: T237684

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Sobre o autor
Cesar Poletto
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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Cesar Poletto

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