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Entardecer



No topo da torre, sentindo a brisa refrescando meu rosto, e embalada pela suave melodia, que se espalha pelo ar, deixo que o por do sol arrebate minhas emoções, lançando-as através do espaço, permitindo que se soltem, e busquem o quanto possível, um pouco de paz.
A Vida é algo precioso demais e em alguns momentos me confundo, por que sendo tão bela, tão única, permite que nos sintamos tão perdidos, tão confusos que nos limitamos a existir.
Que mistério habita o coração humano, que sendo tão amoroso se envolve em sentimentos obscuros, vibrando em descompasso com o pulsar cósmico?
Que segredo esconde a mente humana no emaranhado de conceitos, cálculos e idéias? Um feixe de crenças vazias, sem nenhuma sustentação, e, no entanto, a ele se reverencia.
Que destino guarda a alma de toda criatura, que almejando o bem se afasta, diligentemente, da vertente do saber, único amparo aos que decidem trilhar a senda da evolução.
Que sentido há para personagem quando o enredo se perdeu, quando o autor abandona sua obra, apático, sem mais nada almejar...
Que razão há para viver, quando a própria vida se recolhe, num ato de rebeldia, se recusando a viver.
E que ousadia é esta que apesar de tudo, surge não sei de onde, impulsionando não sei por que, buscando sei lá o que, com uma tenacidade louca como se tudo fizesse sentido.
Que desejo é este, que solitário persiste, como se nada a sua volta o atingisse. Sobrevivente impetuoso que parece extrair a energia de si próprio sem jamais desistir.
Que ser é este, que em meio a tantas angústias ainda acredita no coração humano, na mente, na alma de toda criatura... Ser errante que caminha seus próprios passos sem marcas para seguir. E não desiste, insiste na busca percorrendo os confins da agonia em teimosia aflitiva, sem encontrar uma razão, apenas uma, que justifique tanta desilusão.
Que vento é este que sopra vindo do além, refrescando a ardência dos olhos, que vertem o desencanto cristalizado na dor. Que silencio é esse que cala o grito de angústia que a alma não pode dar. Que ameniza o sofrimento, como se fosse acabar.
Enfim, que tempo é esse que engole a eternidade no vão em que fui espiar. Que veloz empurra as horas, enquanto fico a sonhar...

Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 13/09/2006
Código do texto: T239690
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
1286 textos (215236 leituras)
1 e-livros (148 leituras)
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Priscila de Loureiro Coelho