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RE- CRIARE

Resolvi fazer uma estátua
minha re-criação, ou deveria dizer: reforma?
Reformular...parâmetros, conceitos, diretrizes.
Fazendo a tão famosa...auto avaliação, céus, vi-me nua,
sem pudor ou sutileza, nao é que vivi sem viver?
Então pensei, pq nao? Mãos a obra, vamos dar vida a mulher estátua, mudando coisinha aqui, coisinha ali, quem sabe?
Comecei pela base, os pés: palmilharam tantas estradas e nao chegaram a lugar algum, que lástima. Pés pequenos, dei-lhes mais robustês, poderão carregar melhor as virtudes do viver, sem correr demais em busca do que nao perderam, sem desviar-se por atalhos que apenas atrapalham o rumo, e se preciso, voltarem ao ponto de partida sempre e sempre até encontrarem por onde devem ir e onde precisam chegar.
As pernas, essas precisam de musculos fortes, sem perder a beleza dos contornos, a graça do andar...a agilidade necessária ao que preciso delas fosse.
Um tronco proporcionalmente belo e saudavel,órgaos em perfeitas condições, pq nao só manteriam a propria vida, como gerariam, nutririam outras vidas que viriam abrigar. Um conjunto harmonioso, util e principalemente santo pela sacralidade das vidas que dele nasceriam.
Braços...ah, braços mais longos, pra abraçar melhor as pessoas, aconchegar perto do coração, dando apoio, abrigo, conforto, proteção. Braços fortes, sempre, pra amparar, erguer, lutar...com maos tão fortes quanto, mas tambem muito macias, pra afagar, secar a lagrima, acarinhar , aninhar juntinho, mansamente. Maos que nao se negam a apontar o caminho, nem se furtam a segurar firme, muito firme mesmo, quando é preciso suster o outro até que esse se possa valer por si.Maos que tornam maior os braços a cada vez que se ofertam a outros braços e outras mãos.
Maos que nunca , jamais deixem de se unir a outras mãos, por amor, nem tão pouco deixem de ligar-se uma a outra em oração, enquanto os joelhos dobram, perante o que é Absoluto.
Preciso dar atenção especial ao pescoço, sim. Pouco percebia antes, que sua mobilidade é que permite curvar a cabeça ante o Ser, em respeito ao que é devido, e permite observar tudo ao seu redor, porque nao estamos sós, nao somos sós, por mais que assim pensemos, equivocados. E tambem manter a dignidade do humano, o olhar altivo e pronto. Nao deve perder a suavidade como junco novo, e precisa manter a firmeza e elegancia da garça no lago.
Essa mulher estátua deve ter uma cabeça que resuma em aparencia, beleza e forma toda sua unicidade, sim, porque ela é única, entre todas as outras, e por isso. Uma cabeça com orelhas leves, gentis ao que devem ouvir, sem preconceito ao que é dito, apenas o filtro todo especial de discernir o que fica do que se vai. Orelhas graciosas,
refletindo em sua sinuosidade o encanto que é "ouvir" , ser acustica que ressoa e acolhe os tons do Universo.
Tem de ser adornada com lábios muito doces, que profiram verdades molhadas com mel, e tenham sorriso limpido, de afeto e amor com todos, sem jamais retorcer-se no rictus da mentira ou ocultem o veneno da crueldade. Labios que possam beijar com ternura infinita, e paixão quando assim for, sem medida.
Que sejam os olhos, na forma que tiverem, portais da alma que anima o corpo. Olhos expressivos que nao apenas observem, mas nutram-se do que vêem, e aprendam, e ensinem, e guiem, e sejam guiados pela luz externa que os ilumina e interna que os embeleza e vivifica. Olhos que  em si e por si sejam dignos da alma que guardam e espelham.
Por seu nariz terá o alento da inspiração mantenedora da vida fisica, e assim, que acompanhada seja pela Inspiração Divina, o Sopro doador da Vida Infinita e plena.

Essa mulher estátua de mim, quem sabe, assim tenha de hoje em diante um sentido pra vida. Possa ser um dia lembrada pelos sorrisos que semeou, pelo abraço que deu, pela lagrima que secou, pelo amigo que amparou, pelo filho que nutriu, pela oração que fez, pelo consolo que proferiu, pela senda que indicou, pelo caminho que compartilhou, pelo pranto que ouviu. E se nada disso for, que seja entao, pelo amor por quem viveu.

Liane Furiatti
Enviado por Liane Furiatti em 24/09/2006
Reeditado em 20/01/2009
Código do texto: T248521
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Liane Furiatti
Curitiba - Paraná - Brasil
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Liane Furiatti