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A um passo da felicidade

Meu amado,
regresso fatigada, o corpo em frangalhos,
mente abstraída e alma anelando pela placenta do mar,
onde hibernam navios naufragados com cardumes de medusas; chego carecendo um útero materno que me aloje e aromatize com óleo e uma seda macia, recendendo a incenso e mirra.

Quero que um anjo que me traga a noite nos braços
e uma lua alvíssima, para inspirar e iluminar meus sonhos, anelo prateado a mim te atraindo,
nas entranhas encantadas do sono,
que acabo de abrir caminho para vires te enredar em meu corpo.
Beijo sua boca,
por fim adormeço sob cortina de brancas nuvens,
um perfume de cedro espargindo tua pele,
tranqüilizo e  me penitencio das penas.

Imenso amor te guardei, por tantos dias,
noites e madrugadas silentes,
cuja distância  física não diminuiu a força da minha presença latente em ti,
peregrinando em algum lugar do futuro sonhado,
crendo no amor contra o desencontro.

Quero te apresentar cada uma de minhas pegadas,
soluçadas, doloridas, cicatrizadas fecundadas na fé,
que brotaram em meu almo ventre uma prole colorida de esperanças e sonhos,
mas como fazer, se muitas naufragaram nas marés bravias ou sucumbiram na mansuetude  das mais desertas raias?

Persisti e na ânsia de ver nosso amor triunfar,
tantos sonhos vi morrendo, arrastados pela íngreme caminhada do destino, agarrados a outros tantos,
que das cinzas ressurgiram.
A luz soprou minhas velas até aqui.

Compêndio de lembranças sinto-me agora e qual importância dou aos desejos paridos à dor e sangue,
cheios de dúvida e fraqueza, teimosia e renúncia, perguntas sem respostas,
que me inundavam mais e mais a alma de sonhos por  labutar.
Abençoados desejos, filhos companheiros fiéis que pari, quando mergulhei cega na tua presença,
para compartilhar-te tudo que aprendi,
sorver-te o que guardas para mim,
para adentrar as pessoas e descobri-las de novo,
contigo, para adivinhar-te os mais secretos pensamentos e satisfazê-los, na candorosidade
que tudo transforma e sublimiza,
para que façamos um só corpo, feito lua e encanto!

Quero as gotas do sol, as brumas de Avalon,
a melodia dos bosques, a prece dos anjos,
a linguagem dos beijos, os jardins do Éden, a trilha inédita que conduz ao mais lindo vergel...tudo!,
para te dar num abraço acariciante.

A felicidade de nosso feliz encontro iminente me faz uma estridente e lépida cantora,
de fazer inveja ao tropel de cavalos selvagens alados,
que mal se vê, apenas se ouve.

Quero dançar sem véus, despida de pudores,
tocando lira até que as vagas do Atlântico
murmurem teu nome e o transformem em cerejas,
em néctar e ambrósia em minha boca.

Serei anunciada  pelo vento veloz amoroso,
que acabei de nomear mensageiro dos meus ecos
e quando teus cabelos ventarem,
será meu corpo que estarás vestindo de amor, meu amado, corpo navegante do instinto, sobrevivente de tantos pulsares, tantos delírios!

E das minhas pegadas com cheiro de lírios,
floresceram ipês e rosais,
que testemunham risonhos o quanto te beijafloreio
e com minhas mãos noturnas enluaradas quanto te defloro.

Doravante amor meu,
meu desejo ainda existe,
andarejar e andarilhar em ti,
frondejar teus ramos doídos de saudade,
sentindo-me povoares de arrepios e calmarias,
conquistando ou reconquistando-me a cada alvorecer.

Por fim, realizar-me a paixão do teu destino!

Santos-SP-29/09/2006
Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 29/09/2006
Código do texto: T252679
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Sobre a autora
Inês Marucci
Santos - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Inês Marucci