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O amor pode ser um castigo...

                                 
O amor pode ser um castigo
para quem não sabe amar...
Quem diz ter amor de amigo,
é só pra disfarçar...

Assim um caipira definiu o amor por sua vizinha;
uma cabocla linda, cheirosa de fazer inveja,
"ora, sô, mior que tomar cerveja na boca da garrafa,
é oiá a Florinda , na beira do rio, tacando tarrafa.
Ela sacode as anca, balanca as cadeira que nem marmeleiro,
e quando lança a rede em cima do barrero,
sorta um gemido cumprido,tremendo o corpo intero...
Na virada a saia levanta, e aparece a anca espremida
e a carcinha cor-de-rosa parece querê estorá...
Pescá que é bão, nada , me divirto so oiando
o tamanho do jantá..
As barranca do rio fica cheia, até nas arves se pindura,
todos querem vê a Florinda  fazendo a tarrafada,
Ela bem que tenta , cata um lambari aqui, outro acola,
bem divagarzinho vai enchendo o pacová.
Cansada, larga a tarrafa, e cata firme na vara, pega a isca
no chão, i começa a  ispetá...
O povão intão si anima quando ela sigura na vara e
começa a chacoaia,
chacoaia tanto que aminhoca e a chita do vestido começa a
esfiapá...
A minhoca não resite sentindo tamanha pressão,
um dos peito cai pra fora parecendo um mamão,
Êta mamão bicudo danado, bão de oiá, mior de chupá...
È, a minhoca isprimida nos dedo da muié, agora
ja tá dura e esticada mas num consegui entra no anzor e,
o povo empulerado grita ; entra minhoca, entra mardita...
Ai, eu penso entáo, se ela num entra eu to entrando,
pois ja to esprimido só de oiá u vistido esfiapando...
Ah!Florinda na flor da idade,moça linda de verdade,
pra quarquer um namorá...
Sacoleja mais um poco, oia pro povo e dá um soco
cata todas traia, imbola dentro da sacola,
toma o rumo da casa e sai  rebolando,
e o povo todo assanhado acaba se ispaiando...
E, eu fico pensando, se é amor que sinto por ela,
ou só gosto de ver ela pescá...
Pra falar bem a verdade , so uma coisa não me conquista,
é a cor da carcinha dela, eu preferia amarela ou,
intão azur, da cor do mar...          
léalson
Enviado por léalson em 06/10/2006
Código do texto: T257774
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Sobre o autor
léalson
Ibiuna - São Paulo - Brasil, 64 anos
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