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A PATERNIDADE ESTÁ EM MIM

Há poucos minutos a luz acabou em toda a rua.
Mais ou menos meia hora à luz de velas.
Silêncio total.
Sob a janela aberta, a brisa em sereno da noite.
Um cheiro de verde úmido e as flores da primavera,
juntas, exalam aroma de campo por toda a volta da casa,
deixa o ambiente em profunda paz e aconchego.
Lembro do rádio de pilha, pequenino com jeito de antigo.
Ligo... e a penumbra da vela que se consome
traz-me lembranças deliciosas da infância,
quando meu pai, ao acordar, ouvia, cotidianamente, a Rádio Globo... Rádios de pilha eram super atuais naquela época.
Naqueles breves minutos, ali, me dei conta de tantas coisas:
como é importante construirmos boas memórias para o depois.
O tempo ruim chega e leva as importâncias da gente de perto dos olhos.
A única coisa que resta, é zelar e buscar conforme o tempo passa,
as melhores bagagens que guardamos durante a viagem.
As pessoas que muito amamos são retiradas de perto de nós sem pedir licença, sem quadro de avisos, sem cartas, sem e-mails, sem publicidade, sem notícia.
Somos tão responsáveis por aquilo que cativamos,
quanto somos, pelo cultivo aos nossos afetos e desafetos.
Ao primeiro, cabe apenas ser regado todos os dias, nas águas mansas que legitimam a eternidade das almas que se reconhecem.
Ao segundo, caberá a poda do que é erva daninha,
a transmutação, extraindo lótus, do próprio lodo,
a evolução espiritual, sendo Fênix dourada, a partir das cinzas,
onde tudo ficou para traz à época do sofrimento.
Nada disso é mais necessário.
É preciso criar e recriar uma atmosfera amorosa e repleta de esperanças para um planeta que chora..
chora... muito, e em todos os níveis.
Até aí a memória do radinho de pilha, que me remete a algo tão paterno de raízes, foi para mim de grande relevância:
fez-me partilhar esta crônica com todos aqueles que acreditam
na maestria de termos em nossas referências mais profundas,
as marcas de um amor eternizado.
Devemos orgulharmo-nos de quem amamos,
isso, com o tempo, nos faz crescer, buscando auto - transformação, como melhores pessoas, em constante evolução.
Evolução que nada tem a ver com a materialidade da vida,
posto que, esta, é conseqüência de tudo o que se faz bem feito,
a despeito do crítico quadro sócio econômico que enfrentamos.
Evolução no sentido de sermos clarividentes ao mundo e a nós mesmos, de sermos sensíveis à nossa bem querência e ao sentimento de coletividade, de não nos envergonharmos de sermos pacíficos e bons...
Evolução no sentido de aperfeiçoar o que é preciso enquanto espíritos livres.
Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 12/10/2006
Reeditado em 13/10/2006
Código do texto: T263072

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema