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VAI, SACODE TUA POEIRA!


Manoel Lúcio de Medeiros.


Estava nadando nos meus pensamentos,
Quando num profundo mergulho te encontrei,
Afogada nas desilusões da vida, inservível,
Cansada de nadar contra as decepções da lida,
Esmaecida da coragem, inibida das forças!
Foi neste exato momento, que vi teu corpo molhado,
Marcado de dores, anelando o descortinar da morte!
Então, falei-te baixinho, porque desvanecer?
Coloca teu corpo ao sol, deixe que seu calor,
Evapore tua tristeza e seque tuas amarguras!

Porque se ocultar no desvão da vida?
Nunca gradeies tua imagem submersa na liberdade!
Quantas vezes estamos na masmorra,
Com a chave nas mãos?
É melhor descer numa valeta, a se perder no rio!
Mastreia teu barco, que o vento pode chegar!
Eu também já fui quarado pelas decepções,
Mesmo tendo roupas limpas, fui ao molho,
Porém minhas águas não se turvaram, mas serviram,
Para lavar outros sujos, os quais se envergonharam,
Diante da minha límpida transparência!

Levanta-te, a sombra da noite sempre se acaba na luz,
O dia de ontem, sempre se sepulta no amanhã,
A noite sempre dorme, quando o dia chega!
Levanta-te, pois quando nos levantamos,
Nossos opressores sempre ficam em baixo,
Em baixo é o lugar dos que rastejam no abandono,
Para serem pisados e oprimidos,
Vem se apóia na minha voz e levanta-te!
Ergue a cabeça e vai!
Quando nos levantamos, até o vento nos sopra, sacode!
E quando ele nos sacode, até poeira também vai! Vai!



Direitos autorais reservados.
Malume
Enviado por Malume em 14/10/2006
Código do texto: T263856
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Sobre o autor
Malume
Fortaleza - Ceará - Brasil
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