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TEMPO SUSPENSO


Abri os olhos da madrugada. No escuro, sombras se projetavam maliciosas, espreguiçavam palavras distantes. Encolhi-me na tentativa de esventrar-me novamente nos sonhos, porém eles fugiam dispersos, como retratos amarelados num álbum solto ao vento. Entreguei-me às espirais da insônia, mas elas não me aprisionaram. O tempo suspenso erguia as ondas que percorri em seus devaneios: os projetos, os sonhos... As palavras amorosas perdidas em algum canto da memória resgatavam, no corpo, as expressões poéticas do desejo, o silêncio arrepio das tantas ausências. As carícias estimulavam a alma em suaves passos no tênue horizonte, quase inconsciente... Trilhei folhas secas e me percebi nua, árvore, raízes, tronco e galhos. Voei nuvens transparentes, embriagada com a tímida sinfonia dos pássaros, libertei a emoção estancada e chovi sobre o corpo. Escorri leito rio, nascente, foz, até sentir o pensamento deslizar e ancorar no porto seguro de um sonho ao amanhecer.

Abri os olhos do dia. Na claridade, as sombras se despediam num murmurinho travesso, realinharam os ponteiros e alongaram os versos...
Helena Sut
Enviado por Helena Sut em 17/10/2006
Código do texto: T266438
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Sobre a autora
Helena Sut
Curitiba - Paraná - Brasil, 47 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 14:59)
Helena Sut

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