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MÃO À PALMATÓRIA

               Fico me perguntando: pra que serve ser vitoriosa? De que me serve a vitória? De que me serve triunfar a minha razão? De que me adianta eu estar certa e você não? O que vou fazer com a vitória da minha razão sobre a sua ou de quem quer que seja? Vou comer a minha razão? Vou pagar contas com ela? Vou viver feliz porque minha razão triunfa sobre a sua? Vou estar melhor se conseguir que você capitule diante daquilo que eu própria sei mas que você não consegue ver? 

               Estar certa, ter razão, convencer, triunfar sobre o outro é bom no cinema, em novela, em reunião de negócios. De resto, a minha vitória é garantia de que não serei infeliz? É vacina contra o abandono, contra a incompreensão ou o desprezo? Vai evitar doença, tristeza, viroses ou algo mais? Vai fazer com que eu seja melhor e você menos melhor? E o que é que ganhamos com isso? 

               Você quer ter razão? Tá. Eu te dou. A razão é toda sua. Mas a SUA, porque a minha continua comigo. Não acredito nessa vitória. Vitória que é uma patrulha sobre o pensamento, a consciência e o livre-arbítrio do outro. Que bota o outro de joelhos para que eu possa ficar em pé, porque em pé eu estou sempre, mesmo e principalmente quando me curvo, me ajoelho e digo “eu tô errada e você tá certo”. 

                Não quero ser escrava da vitória. Quero ser dona da minha certeza, sim. Mas ser escrava disso, nunca. Nem das minhas palavras, nem das minhas certezas e razões. Ainda que você não veja, ainda que você não concorde, eu ainda estou de pé, em cima de meus próprios pés. Você quer a razão? Você a tem. Pode ficar com ela.

                Eu quero é ser feliz.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 18/10/2006
Reeditado em 18/10/2006
Código do texto: T267279

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai