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Passado.

Não. Não me conformo que o jardim, em que na minha infância eu achava tão grande e majestoso, seja hoje nada mais que um simples jardim, com plantas pálidas e cheirando a adubo. Não me conformo que os desenhos animados que eu assistia tenham sido hoje esquecidos. Não me conformo que o sítio do meu avô, palco das minhas maiores aventuras, tenha sido em parte vendido e que a casinha que nele havia tenha perdido o telhado pelo desgaste do tempo. Não me conformo com a falta de reconhecimento da rua em que antes eu tanto brincava; nela eu sujava os meus pés no barro sujo. Porém hoje, o asfalto negro cobriu as minhas marcas, que eram pura brincadeira.

Não me conformo com a reforma na minha antiga casa. Não me conformo com a morte dos meus pés de feijão, que eu tanto insistia em plantar. Não me conformo ao ver meus antigos brinquedos jogados ao léu (e me culpo, pois ao ver isto pouco me importo, mas mesmo assim não me conformo). Não me conformo que a velha vitrola de meu pai, aonde eu rodava os discos e fazia um som desconcertante, tenha sido jogada, ou dada, ou descartada, para dar lugar a um som novo, sem graça, que eu mal reconheço.

Nada agora me reconhece. Tudo está perdido, porque tudo é o novo, é o limpo, é o que não está marcado por lembranças. Tudo em que eu me reconheço já passou ou foi passado; tudo morto.

Tudo perdido nessa teia chamada vida.
TMB
Enviado por TMB em 19/10/2006
Código do texto: T268241
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Sobre a autora
TMB
Maceió - Alagoas - Brasil, 25 anos
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