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O Destino sobre o Amor, o Tempo e a Razão

Meu nome é Destino. Sou aquele capaz de unir os fatos mais improváveis dando-lhe novos rumos. Eu causo as coincidências. Acho o caminho para coisas impossíveis. Eu uno as diferenças. Torno viáveis coisas inimagináveis. Sabe-se lá, o destino é uma ciranda. Pela obra do acaso duas vidas se encontram, e, juntos, tornam-se uma instituição. Seja pela rua onde moram, duas casas face a face. Uma empresa onde trabalharão. Uma festa para qual foram convidados por amigos em comum. Um banco de ônibus em uma viagem de férias. Uma mesma ideologia. Uma briga. Ou até mesmo um encontrão despercebido no metrô. Tudo concorre para o acaso. E na oficina que se fomenta, enlaça essas duas vidas em um fio tênue, perfilando o invisível no destino, na ciranda girando, corpos transformando-se em um, inconscientes do que não se diz dizendo, nem tão pouco se mostra, quando sim, sente-se apenas no embrião, na facetada química, a que chamamos amor: inteligível, metafísico, ou simplesmente um gostar de sentir a alma com a alma, nos olhos dos olhos do coração. Algébrica sentimental irresoluta que se perde na forma dos dizeres, quando queremos dizer a quem se queira dizer: amo, e se dizemos é totalmente inacabado, pueril e parco. Conforme são, escondem o que em nós não foi comunicado, obra de arte perfeita. Enquanto o tempo caminha imperdoável. Assim durante épocas tem sido. E dessas vidas se dão outras, na ciranda girando. A história como alvitre, o destino como jazigo. Vivendo num mundo que construímos e outro que ocasionamos. Pois não somos uma cidade povoada com todas as experiências de sentimento; às vezes, temos que imaginar histórias, fatos, idéias, sentimentos para preencher o que não somos, o que não temos, o que nos falta na vida e que esse outro, de repente, gratuitamente nos apresenta. Quando uno dois corações, duas almas, estou tentando garantir que o amor continue vivo. Porque o amor é a essência de todas as coisas vivas que encontramos sobre a capa do mundo. O amor atravessa o tempo e renasce em cada geração, sendo por diversas vezes combatido, por muitas outras derrubado e que por mil vezes ainda há de cair. Mas que teimosamente se levanta. E brota. Insistindo. Sem amor nada sobrevive. A razão não se solidifica sobre o tempo e o destino para a humanidade não existirá.  
Sérgio Caldeira
Enviado por Sérgio Caldeira em 26/12/2010
Reeditado em 27/12/2010
Código do texto: T2692321

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Sobre o autor
Sérgio Caldeira
Itapecerica da Serra - São Paulo - Brasil
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