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Um delírio que tive

Aqueles corpos caíram no chão. E aqueles corpos que caíram no chão, eu me rí. Aqueles corpos que caíram no chão, sobre eles dancei e rodei. Nas minhas mão, aquela horrível marreta caiu sobre aqueles corpos que caíram. Sobre eles rodei, e saltei. Aqueles corpos que caíram no chão, desfigurados, a eles esmaguei.
Aquelas carnes desgraçadas misturadas e aqueles ossos quebrados, triturados, sendo uma só profanação, com eles me deitei, e rolei. Aquelas carnes desfiguradas, minhas mãos as apertaram. Naqueles órgãos expostos, minhas unhas afiadas rasgaram. Aquelas línguas, apertei, devorei. Naqueles que eram corpos, me lambuzei e com meus dentes quebrados, infeccionados, mastiguei.
Aquela carne que lentamente traguei, se misturando a mim, tornou-se minha infecção.
Me levantei, pisei aquele sangue e caminhei. Andei errante pela terra, até que, pela infecção, tombei.

Após aquela orgia, aquele meu corpo caiu no chão, como aqueles corpos que caíram, aos quais eu tanto odiei.
Regis Camimura
Enviado por Regis Camimura em 05/11/2006
Código do texto: T282976

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Sobre o autor
Regis Camimura
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 34 anos
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