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AMOR IMORTAL

Amor que é amor tem de ser imortal, senão é menos amor, é amor mortal. Daquele que mata de raiva quando a gente tem e mata de ódio quando se vai.

Amor imortal é para toda a vida. É muito mais, é uma promessa de vida após a vida. E, se é verdade que há outras vidas, haverá novos encontros nas outras vidas, pois, se o amor é imortal, jamais morrerá nesta vida. Volta para amar de novo; vai-se, amando.

O amor - quando é mortal - morre nos primeiros raios da tempestade. Vai-se nas primeiras noites mal dormidas. Nas primeiras luzes do dia. Segue os primeiros olhares de outros olhos. Deita-se ao lado de outros corpos. Rende-se à variedade de outros braços. Mal esquenta a nossa cama e já sai para aquecer outros pés e se enroscar em outras pernas. Por isso é peregrino e inconstante. Mal se instala em um peito e já semeia os seus encantos em outro coração.

O amor imortal vem da alma. O amor mortal vem do coração.

Os amores mortais têm o seu valor e significado: nos ensinam a amar. Preparam-nos para o amor imortal que sabemos estar a caminho.

Os amores mortais, quando ferem, se a gente pensar bem, ferem só um pouco.  Cravam espinhos doloridos, que podem ser retirados. Basta que a gente tenha coragem e paciência de extraí-los cedo, antes que infeccionem. Quantos infectados pelos espinhos dos amores mortais passam pelas nossas vidas, quando não somos nós mesmos os infectados?

O amor imortal é incondicional. Ama-se e pronto! Sem condições. Não há tormentos na alma como ciúmes, saudades, jogos de sedução e vinganças. Estes são sentimentos comuns do amor mortal.

Se o amor é imortal, não há ciúmes, pois sabe que há pertencimento.  Não há saudades, pois não há abandono e, quando se vai, vai por pouco tempo. O que é o tempo se o amor imortal dura toda a eternidade?

O amor imortal não precisa jogar os jogos da sedução, daqueles que os amores mortais jogam.  Não tem necessidade de despertar ciúme para se provar que há amor. Ama-se e isto basta!

Nem é necessário dizer algo sobre vingança. Essa se instala nas almas pequenas e nem mesmo tem sentido para o amor mortal. A vingança é mais uma deformidade de caráter e personalidade do que qualquer sentimento ligado ao amor.

O amor imortal parte da idéia das almas gêmeas, das almas divididas, que se procuram. Mora, portanto, na alma.

O amor mortal não parte de nenhuma idéia. Parte do sensorial, do táctil. Mora na pele. Por isso é mortal. Vai-se quando muda a pele. E a pele, definitivamente, muda para todos, mesmo que a gente estique, levante, tonifique, aromatize e fortaleça.

Todos os amores que tive, foram amores mortais. Por supor serem imortais é que morri quando cada um se foi, como renasci para cada novo amor que veio.

Deixei, algumas vezes, que seus espinhos me arranhassem a alma.  Removi-os com lágrimas derramadas em poemas ou com os gritos surdos que dei dentro de mim.

Deixei que outros amores mortais compensassem a saudade que sentia. Amava outros olhos, enquanto amava. Falava seus nomes silenciosamente em meus orgasmos. Escrevia frases imensamente belas para o pequeno amor que me preenchia os dias.

Algumas vezes vinguei-me e arrependi-me da vingança. Minha alma me deu alguns puxões de orelha. Aprendi a assimilar estes golpes.

Confesso que aprisionei alguns corações que ainda pensam que sou seu amor imortal.  Na verdade, a gente não aprisiona ninguém! Nós nos deixamos aprisionar!

Amei intensamente os amores que tive, mesmo sendo mortais.

Tratei-os como trataria o meu amor imortal: com entrega total. Fiz com que cada amor que viesse tivesse de mim boas recordações. Enquanto duraram tiveram sabor de amor eterno. Enquanto duraram!

Não sei se há esse tal de amor imortal. Acredito que sim. Afinal, se minha alma é imortal, minha capacidade de amar acompanha-me na minha imortalidade. Que venha, pois, o novo amor, mas que, desta vez, seja imortal.

06.11.06

Amar é amar com intensidade,
mesmo que só dure um segundo,
mesmo que só reste a saudade
e nada mais neste mundo!

12.11.06
Paulo Sergio Medeiros Carneiro
Enviado por Paulo Sergio Medeiros Carneiro em 06/11/2006
Reeditado em 12/11/2006
Código do texto: T283353
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Sergio Medeiros Carneiro
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Paulo Sergio Medeiros Carneiro