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SUPERANDO A SECA.

Manoel Lúcio de Medeiros.
Fortaleza, 20/janeiro/2003.

1
As nossas esperanças quase que caíram com as folhas secas,
Por um pouco não rolamos ao chão pelo ar como sem destino,
Nossos sonhos, já estavam sendo arrastados pelo vento árido,
E o sol chamejante transformava nosso sangue em vapor!
Era muito fácil ver os “raios-X” de nossos cadáveres vivos,
Todavia, a despeito das intempéries da vida e do tempo,
A nossa inabalável fé estava fixada nas raízes da terra,
Foi quando os céus se lembraram de nossas amarguras!

2
E do alto fomos contemplados na esfera da angústia estéril,
Numa terra seca, desacertada, enxugada no calor do sol!
Nossos pés se rachavam sobre o solo abrasador, terrível,
No momento em que nossos corações desfaleciam a míngua.
As nuvens não suportaram, e choraram nossos prantos,
E sobre a miserável face da terra, lamentaram toda à noite!
E nossos desvanecidos olhos que estavam secos pela seca,
Molharam-se! Lavando o pó da terra agreste do Nordeste!

3
Foi um pranto que durou a noite inteira, soluçando trovões,
Raios ziguezagueavam na escuridão, dissipando as trevas,
Enquanto a nossa alegria se desquitava da tristeza febril,
Relâmpagos refletiam em meio a pedras areadas a pingos.
De repente, vimos acabar a mormaceira da biosfera,
E aos poucos, fomos umedecidos pelo sereno da madrugada!
O regozijo invadia o peito e esfriava o ardor dos nossos corações,
Enquanto nossas almas sedentas se hidratavam as águas.
4
Como é bom sentirmos sono ao estrépito das biqueiras,
Que cheias de águas derramam em líquidos, nossas aspirações,
Chuvas que dão vidas, vidas em gotas, gotas de cristais, soluções,
A esvurmar do peito, as feridas da alma, êxodos rurais, desilusões!
Como é bom, dormirmos ao som da chuva, tendo inverno,
Até o sereno cura o enfermo que jaz à porção do seu torrão,
E a esperança como o verde reproduz qual galha, a sombra,
Que abriga aos cansados, peregrinos, tão sofridos do sertão!


Direitos autorais reservados.

Malume
Enviado por Malume em 07/11/2006
Reeditado em 11/11/2006
Código do texto: T284263
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Sobre o autor
Malume
Fortaleza - Ceará - Brasil
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